Absurdo...

A cada passo e pela recorrência, dou comigo a matutar no porquê da coisa. Assisto, Portugal inteiro assiste, em frequência desgastante, à ira da classe docente contra tudo e contra todos.
Pela constância anual o Concurso dos Professores faz encher as ruas de protestos ruidosos, impulsiona debates ensurdecedores, amortece a alegria estudantil, desmoraliza os pais e desgasta, no geral, as gentes.
Os tempos mudam, mudaram mesmo, mas esse eterno acontecimento infiltra-se nos media via sindicatos desligados dos tempos e, após a calma de veraneio, na abertura do ano escolar, cai-nos em cima o malfadado problema.
Fazendo rodar a mente imaginemos que um economista sem trabalho encontra emprego, através de anúncio em jornal, lá longe, para os Algarves. Muda-se com a Família, é a vida em movimento. Três anos depois, bate à porta daquela empresa um outro economista que pergunta a média de curso daquele gestor. Porque a média deste é superior à do outro, aquele posto de trabalho será dele. Evidente, isto é impossível.
Como Hipótese de Tese e porque o mundo é tirano e a economia não tem coração preciso, para desenvolver um raciocínio leal à equidade, de aplicar no público o Código de Trabalho do privado, despedimentos incluídos. Se não existem alunos, verdade absoluta, sobrará problema para os professores.
A colocação de professores envolverá, por ano, dois concursos em tempos a determinar. No primeiro, conhecidas as reais vagas, concorrerão todos os professores que deram aulas no ano anterior, do quadro ou não (nunca mais existirão professores que não pertençam ao quadro), que desejem mudança de local. Funcionarão as hierarquias, as regras estipuladas encontradas com serenidade por acordos entre as partes, entre todos os parceiros sociais. O posto antigo estará sempre garantido.
No segundo, para as reais vagas sobrantes, universais, concorrerão todos os professores desempregados e habilitados, com desejos docentes. A primeira das prioridades será, sem qualquer dúvida, a prova de que o candidato já leccionou e quantos anos.
A regra de jogo será a geral, professor colocado está colocado de vez. Sairá do lugar apenas por desejo próprio, por justa causa ou pelas leis em vigor no sector privado (pela Hipótese, agora no público) incluindo despedimentos, com indemnizações e Fundo de Desemprego.
Porque os professores não podem ser, de todo, uma classe á parte, esta regra tão simples resolverá o problema criado pela democracia privilegiada das corporações. Acredito que após três anos de implementação deste modelo a Classe gozará o sossego merecido, podendo fazer projectos para o futuro, filhos e casa. Os azares, mesmo os despedimentos, serão os dos comuns dos mortais. Longe vai o dia em que a simples Licenciatura garantia emprego a quem quisesse enveredar pela docência.
Imaginemos que a EDP ou a GNR se lembram de promover, todos os anos, um concurso similar ao do actual da Classe Docente? Seria a hecatombe financeira definitiva de Portugal.
Todos sabem que os políticos receiam o combate, mas a sabedoria dos tempos saberá renovar este modelo de concurso esgotado pois ele é, em si mesmo, um Absurdo…