Ano Novo: renovar a esperança

Já estamos no mês de Janeiro do ano 2016 do Calendário Gregoriano. Há outros calendários com outras marcas civilizacionais. Nós vivemos neste, de influência cristã, por inspiração e promulgação do Papa Gregório XIII, em 1582, determinando que o tempo fosse contado a partir do nascimento de Jesus Cristo.
Em nome da mensagem do cristianismo, renovamos a esperança, a cada ano que começa. Desejamo-nos BOM ANO e, com este voto, enviamos esperança àqueles a quem o dirigimos.
Ao mesmo tempo, cada início do ano espelha também a promessa de começar de novo, de aperfeiçoar, nela contida a mensagem do perdão e da superação do passado. Em teoria, podemos ou não dizer-nos cristãos mas, na prática, dificilmente não o seremos pois raramente não buscamos uma redenção de nós próprios ou raramente não desejamos recomeçar e sermos mais felizes, mais prósperos, mais solidários.
A celebração do ANO NOVO encerra esta esperança de um novo recomeço. Começa pela alegria da passagem do ano que que termina materializando-se em novos projectos de acção.
Olhando para o nosso país, é fácil identificar áreas onde todos manifestam a sua esperança: que a economia cresça o suficiente para que a riqueza cresça se possa distribuir por todos para que cada um tenha o que necessita; que a acção política seja realizada por acordo social não levantando grandes conflitualidades e preocupações; que todos os portugueses percebam que há um projecto social, político e económico justo, que não exclui ninguém e que foi abundantemente participado na sua construção; que a dimensão política e social prevaleça sobre a dimensão dos interesses económicos egoístas e monopolistas; que o mais pobre dos portugueses seja tão importante para os decisores políticos como o mais rico; que as políticas fundamentais tenham o acordo de uma maioria estável e permaneçam no tempo para lá dos horizontes de um governo, seja ele de que partido for.
Como se vê, é fácil expressar desejos. Difícil é concretizá-los face à imediatez de necessidades objectivas e prementes. Podemos até afirmar que todos estes desejos são próprios, ao mesmo tempo, do humanismo socialista e do liberalismo social. As vias para chegar a eles é que dividem as pessoas. Por vezes, encerramos a nossa discussão nas palavras esquecendo que as palavras são potenciadoras dos diferentes significados com que são escritas, lidas ou ouvidas.
Há palavras usadas arbitrariamente para classificar pessoas: comunista, socialista, social-democrata, liberal-social, democrata-cristão, liberal, liberal económico, num continuum que vai do colectivo ao individual. Porém, nenhuma delas encerra ou condensa a humanidade das pessoas. Para lá dos rótulos há uma humanidade a descobrir, aspectos comuns a explorar, possibilidades de acordo a potenciar, ideias válidas a rentabilizar.
O projecto democrático verdadeiro valoriza o diálogo que pode permitir o acordo entre as diversas humanidades das palavras. É esta a mensagem do ANO NOVO CRISTÃO. BOM 2016 para todos, cristãos católicos ou não.