Apelo ao Dr. Hernâni Dias

Num debate público transmitido por um canal televisivo, cujo tema era o “imposto verde”, não pude deixar de reter que, para os defensores da consciência ecológica, o exagerado número de veículos a circular nas cidades é o factor que mais contribui para a poluição do ambiente.
Tendo por certo que o automóvel é um bem utilitário, indispensável, é possível, sem haver necessidade de encostar o carro na garagem, reduzir significativamente os efeitos de estufa. Para isso, referindo-me, naturalmente, à minha cidade, basta que haja a coragem de corrigir alguns erros cometidos num passado recente.
Enquanto munícipe, cumpre-me fazer o seguinte apelo ao insigne edil brigantino -  pessoa afável  e dos mais elevados princípios morais, pouco dada ao protocolo e à formalidade  - , consciente de que será sensível aos argumentos (exemplos) aqui apresentados.
A cidade de Bragança tem seguido, nos últimos ano, no que diz respeito às questões paisagística e de mobilidade rodoviária, os modelos vindos do estrangeiro. Esse transportar de ideias para a nossa realidade seria bem – vindo, se não colidisse com os pressupostos que devem presidir à gestão de uma autarquia: facilitar a vida aos munícipes, dando-lhes o maior conforto possível. No caso em apreço, e sendo inevitável, pela natural evolução da sociedade, a adesão a padrões de civilização mais modernos, o ideal seria que a transformação se desse num registo em que se pudesse conciliar a estética e o prático/funcional.
Ainda que subjectivo o conceito de “estética”, reconheço que Bragança é uma cidade muito mais bonita e atractiva do que era há 15 anos. No entanto, uma concepção de urbanidade que tornou muito mais onerosa e complicada a vida de quem precisa do veículo para se deslocar no dia – a – dia: em várias artérias da cidade, os automobilistas andam mais do triplo dos quilómetros que são necessários percorrer, em distâncias relativamente curtas.
Vejamos o exagero a que estamos sujeitos.
1 – Uma pessoa que, de carro, vindo do antigo restaurante Dragão, queira aceder, pela rua D. Pedro IV (?), à Avenida Abade Baçal, para ir em direcção ao Campo Redondo ou ao Modelo, em vez de virar à esquerda, como seria normal, vê-se obrigado a seguir na direcção contrária, contornando um bloco residencial, para ir dar à “casa da partida”.
2 – Se um automobilista, vindo na direcção da Avenida Humberto Delgado, com passagem junto ao Estabelecimento Prisional e à Cruz Vermelha, quiser ir para a Avenida João da Cruz ou tomar o sentido da Boa Vista - Liceu, é obrigado a ir virar à apelidada “rotunda do penso higiénico”, em frente ao ISLA.
3 – Na mesma Avenida, se alguém circular, em sentido ascendente, junto à Zona Agrária, e pretender estacionar o carro no campo da feira (fica apenas a 30 metros), não tem outra alternativa a não ser, invertendo o sentido, andar mais de um quilómetro para contornar a dita “rotunda”.
4 – Sendo eu de Bragança, é frustrante para mim (já aconteceu algumas vezes) não conseguir indicar a um forasteiro, de qualquer ponto da cidade, o acesso quer ao Bairro da Mãe de Água, quer ao Comando da PSP, tamanha é a confusão.
5 – Quem, circulando no IP4, quiser sair na saída norte (não consigo evitar o pleonasmo), com destino ao Centro de Saúde de Santa Maria ou à Avenida do Sabor, é obrigado a percorrer, em sentido contrário à marcha pretendida, 500 a 600 metros a mais do que a situação o exige, numa obrigatória passagem pela rotunda dos touros.
Não sendo possível, por limitação de espaço, mencionar os muitos casos semelhantes aos acima descritos – que me parecem os mais gritantes -, fica a esperança de que o Dr. Hernâni Dias tudo fará para aliviar os transtornos dos seus munícipes, com implicações directas na carteira, contribuindo, assim, para a redução de CO2 na atmosfera.