Bragança & Les Pavillons-Sous-Bois: os frutos da geminação

Completaram-se no passado dia 10 de Junho, vinte anos sobre a geminação entre os municípios de Bragança e de Les Pavillons-Sous-Bois, iniciada em 1996. Depois da geminação nem sempre bem sucedida entre Bragança e Zamora, iniciada em 1984, a geminação com Les Pavillons-Sous-Bois deu bons frutos e regista vinte anos de sucesso.
A estratégia de prossecução de geminações entre cidades foi, na Europa, resultante do movimento de pacificação entre os povos, julgado necessário após a II Grande Guerra Mundial, a par da criação da CECA (Comunidade Económica do Carvão e do Aço) que daria origem à Comunidade Económica Europeia. Com a geminação entre cidades almejava-se melhor conhecimento e convívio entre os povos geminados e benefício conjunto dos serviços que as cidades geminadas poderiam prestar aos respectivos cidadãos. Aumentavam-se assim as sinergias de cada município geminado e construía-se melhor Europa. A partir de 1990, as políticas de geminação estenderam-se a cidades de outros continentes.
A comemoração dos 20 anos da geminação entre Bragança e Les Pavillons-Sous-Bois teve lugar na cidade francesa, localizada a norte de Paris, entre 10 e 12 de Junho. Foi muito participada pela comunidade portuguesa local e expressou as excelentes relações de amizade que há entre a comunidade francesa e a comunidade portuguesa locais. Foi lançada a obra «20 anos de geminação e cooperação», descrevendo o que ocorreu ao longo deste tempo.
Tais relações estão, sem dúvida, ligadas ao facto de ali haver uma associação franco-portuguesa, irradiando a partir da Casa de Trás-os-Montes local e dirigida, durante mais de 20 anos, pelo cidadão bragançano e montesinhense Eduardo Lapa, grande motor da geminação, em 1995, juntamente com o então Cônsul de Portugal em Paris, Silvino Ribeiro, com o então Governador Civil, Cruz Oliveira, e com o então Presidente da Câmara, Luís Mina, e oficializada em sessão da Assembleia Municipal no dia 10 de Junho de 1996.
O que me parece ser de realçar nesta geminação e provável razão do seu êxito, é a existência de laços comunitários entre cidadãos bragançanos emigrantes, radicados em Les Pavillons-sous-Bois, e a sua terra natal, o concelho de Bragança. A associação que lhes dá guarida, a Casa de Trás-os-Montes e o respectivo programa de geminação, dão sentido ao comunitarismo afectivo e cultural dos portugueses emigrantes e a geminação dá sentido à estreita cooperação entre as populações francesa e portuguesa, marcada por um forte sentimento de vivência da cidadania em torno da melhoria das condições de vida na cidade e de melhoria da situação sócio-económica da população.
Estas duas comunidades são ainda unidas por uma partilha da vivência religiosa, estando presentes na celebração dominical católica muitos elementos das várias etnias que vivem na região, o que evidencia que há um projecto unificador e mobilizador.
Estão por isso de parabéns os cidadãos de ambas as cidades, neles incluídos os respectivos autarcas. Se o de Pavillons-sous-Bois, o Senador Nacional e Presidente da Câmara Phillipe Dallier, ainda é o mesmo, pela não limitação de mandatos, em Bragança, o grande impulsionador do trabalho autárquico comum pós Luís Mina, Jorge Nunes, impregnou o espírito do executivo seu sucessor, presidido por Hernâni Dias, do mesmo empenho na dinamização do projecto. Longa vida a esta irmandade.