CEPIHS

 
Em princípio, todos os interesses são legítimos. O problema surge quando os interesses de qualquer um colidem com os interesses de outro ou de um grupo. Para dirimir o conflito existem as entidades competentes cuja função é, nestes casos, defenderem o interesse público em detrimento dos interesses meramente privados por muito relevantes que estes sejam. E são-no, frequentemente. Sendo que muitas destas instituições são legitimadas em eleições populares, o esclarecimento e a formação representam serviço público de elevado valor e interesse. Reside (também) aí o grande valor e interesse de publicações e atividades acessíveis e abertas de divulgação de que a elaboração e apresentação da revista CEPIHS  são exemplo claro e demonstrativo.
 
No passado Sábado foi apresentado na Biblioteca Municipal de Torre de Moncorvo o quinto volume desta publicação, sob a competentíssima coordenação da professora Adília Fernandes e o apoio profissional e de grande qualidade da diretora municipal dr.ª Helena Pontes. A cerimónia foi abrilhantada pela intervenção do arquiteto João Campos que, de viva voz, explicitou e  reafirmou o que tinha escrito no preâmbulo. Este académico e estudioso, perito da ICOMOS (associação ligada à UNESCO) convidou-nos a quatro reflexões sobre o património urbano, com títulos sugestivos e temas relevantes: A Cidade e a Memória – O destino dos homens e da cidade é comum; A Irrelevância do Tamanho – o importante é a identidade; O Papel de Charneira – É esse o papel do património ligando o passado e o futuro; A Regulação de Intervenção – É necessária a adequada (no tempo e no modo) intervenção dos poderes públicos para regular e conter a voracidade do turismo predador.
 
Esta última assume uma premência e relevância acrescidas sobretudo quando se confere  ao património um papel determinante no desenvolvimento e fomento do turismo urbano. 
 
Felizmente, no caso em apreço, está assegurado o devido e necessário equilíbrio. A Nota de Abertura assinada pelo Presidente da Câmara de Moncorvo é um libelo de grande qualidade, um compromisso pessoal e institucional que garante e assegura que, no território municipal, será praticada uma adequada política  de tratamento e proteção de todo património concelhio, com especial enfoque no  edificado.
Os munícipes podem ficar tranquilos: o autarca da Terra do Ferro assumiu publica e formalmente um compromisso de preservação dos bens culturais no cumprimento das melhores diretivas da UNESCO e ICOMOS, na sequência, aliás das recomendações da Nova Convenção do Conselho da Europa Relativa ao Valor do Património Cultural para a Sociedade, assinado em Faro, em outubro de 2005.