A Chispa

Somos, de facto, o mais bizarro habitante do planeta terra. A verticalidade conseguida por mecanismos de mutação genética e habituação ao meio trouxeram-nos até aqui: humanos, de coluna vertebral erecta. As espécies proliferaram mas nós, com capacidades de raciocínio acima de todos os outros ganhamos, por acumulação intemporal, a alma e os afectos.
Através do túnel-turbilhão dos tempos cá estamos, portugueses, no nosso cantinho europeu inebriados pelos ares marítimos que nos refrescam e aquecem. Raças diversas povoam esta bola gigantesca que nos sustenta e transporta através do cosmos. A socialização organizada, com regras, foi conquista de aprendizagens guerreadas, sofridas, épicas, mortíferas e apaziguadoras. Os diferentes, líderes, estadistas, apontadores de rumos foram-se erguendo na História de todos os povos. A História, ela mesmo, conta-nos quão diversos são estes apontadores de rumos. A rectidão, a postura social, o exemplo, as virtudes, a defesa dos direitos básicos, os seus fracos, haverão de despontar, em cada um de nós, paixões, lutas íntimas, várias leituras de justeza.
Com Grândola Vila Morena o povo ordenou o fim de um ciclo. Não mais seria possível o fosso desigual, Abril imporia a equitativa divisão do fruto do trabalho, saúde e educação estariam no centro da discussão, tudo seria meta sem recuo. As ruas transbordaram, os risos rasgaram as faces, peitos ansiosos saciaram-se dos ares puros do amanhã, ricos e pobres dançaram ao ritmo da igualdade num braço-dado fraterno.
As Corporações adiantaram-se e mostraram o buraquinho que tinham no centro da barriga que eram, quanto a elas, de excepção.
Porque o Governo de Sócrates foi, sem dúvida, o único que mandou parar o baile dos Direitos Adquiridos Corporativos, apenas beliscou e foi o que se viu, saúdo-o por isso. Seguirei, com toda a atenção o evoluir da situação sabendo que após o final, seja ele qual for, nada ficará na mesma.
 Portugal vai assistir ao julgamento de José Sócrates, dos Partidos e seus Políticos, da Instituição Presidência da Republica e, acima de tudo, da omnipotência, arrogância e descrédito judiciário. Que expiem os reais culpados sejam quais forem.
Seremos jurados em julgamento na Praça Pública e saberemos inferir dos dados reais e de mentira lançados pelos dois lados do tabuleiro.
O filme já roda e, pela estreia, algo de grave anda no ar mas, infelizmente, a justiça já nos habituou à imagem da alegórica gruta em que entra leão e sai rato.
Se próximo de Sócrates e em nome do Homem, Erectos de corpo, alma e afectos, estaria em Évora. Em defesa do Socialismo Democrático espero que Costa mantenha e insufle o legado Socrático, A Chispa….