Companheiros da Alegria…..

 
 
Fazem coro há muito. A intimidade de cada é segredo dos outros dois. Entre si, os favores, recíprocos, são provas de amizade, de juras de amor fraterno, de iguais.
Os caminhares, lado a lado, fizeram crescer um sonho. A vida adulta nas encruzilhadas da democracia, recolocaram o desafio, porque não brincar ao jogo dos Chefes, aos Governos? Assim o pensaram, arregaçaram as mangas, pediram a ajuda da Esquerda dos Fundos, a tal que não quer governar mas é danada para fazer jeitos, e lançaram-se à estrada.
A táctica, aprendida nas lutas da revolução, era fácil, deitavam o governo abaixo, claro que com a ajuda dos fazedores e apanhadores de cacos, faziam desaparecer o PEC IV, prometiam mundos e fundos, algo que o Presidente actual detesta e, como sabiam que não iam cumprir, os risinhos de criança ecoavam nos Passos Perdidos da Nação. São conhecidas as travessuras destes queridos petizes: um brincou ás escutas, acusou de que as conversas lá de casa andavam a ser gravadas, os outros mentiam descaradamente, com a ajuda de muitos fazedores de notícias que por aí abundam, afiançando de fonte segura e com dados irrefutáveis as diabruras desastrosas do governo anterior.
Há sempre um mas em História, ela escreve-se com factos, acontecimentos mesmo, não com argumentos de brincadeira.
A crueldade dos números, arrancados dos Orçamentos de Estado e do Centro Nacional de Estatística, fazem tremer os irrequietos meninos: dos 3.149 kms de auto-estrada, 1602 são dos governos Cavaco, 428 dos de Sócrates. Das 1602 PPP europeias Portugal tem apenas 36 sendo que a Inglaterra tem 20 vezes mais. Das 36 PPP 22 são rodoviárias, 3 ferroviárias, 10 da saúde e uma de Segurança. Das 22 rodoviárias 8 foram lançadas por Sócrates e as restantes por Cavaco, Guterres, Durão e Santana. O Governo de Sócrates deixou para este Governo encargos com PPP menores do que aqueles que recebeu. A primeira PPP portuguesa é dum Governo Cavaco, a Lusoponte, em velocidade acelerada, tendo como líder um eterno e absoluto Homem da Cadeira.
Chegados ao Túnel do Marão, este buraco dá que pensar. Em gritos histéricos, clamando despesismo, nas barbas de um povo humilhado, talvez ingrato e escondido por detrás dos montes, foi colocado o sinal de stop, o barulho das possantes máquinas deixaram de ecoar nas ondas daquele imenso mar de granito, o Marão. Faltavam, como despesa/custo, 120 milhões de euros para a conclusão do Grito da Liberdade. Depois dos foguetes da brincadeira, no limiar do recomeço, o valor estimado ascende a 160 milhões.
O gigantismo da obra Pombalina, desmesurada para os tempos, bem-vinda mas curta para os actuais usufrutuários, demonstra a triste figura dos mesquinhos adeptos da teoria do custo/benefício que escolhem, em pose sonsa, ocultar a obra faraónica do Centro Cultural de Belém e a compra bélica dos submarinos sem os quais, à primeira vista, Portugal seguiria em frente e flutuaria.
Primos dos Três da Vida Airada eis os meninos traquinas, o Governo, a Maioria e o Presidente, os Companheiros da Alegria…. 
 
PS: os dados foram recolhidos de um brilhante texto da deputada Isabel Moreira