CREIO EM DEUS PAI, O INTERLOCUTOR DO FILHO

O diálogo entre o Pai e o Filho, modelo do nosso diálogo, da nossa intimidade, da nossa comunhão com o Pai. Viver nesta descoberta no Ano da Fé é o nosso caminho.

O Pai, porque ama o Filho, tem “sede” d’Ele, deseja infinitamente a sua companhia, a sua intimidade, a sua oração. Deseja estar em diálogo íntimo de amor. E o Filho, por sua vez, não quer nem deseja outra coisa: estar no Pai, pois o amor O leva ao diálogo, à abertura, à permanência, à intimidade. Afinal, como no seio da Trindade, vivem os dois o desejo íntimo de Se comunicarem, de Se darem mutuamente. Daí que o Filho encontra no Pai o seu interlocutor. Reza ao Pai, reza sempre ao Pai, encontra n’Ele o Coração que O compreende, que O escuta, que Lhe dá amor. Em todas as orações que temos no Evangelho, Jesus reza sempre ao Pai. Vive esta paixão, o Pai é o seu tesouro. Perceber isto, rezar isto é entrar no segredo do Coração do Filho e na sua oração.

Rezar com Jesus e em Jesus algumas das suas orações: “Eu Te bendigo ó Pai, Senhor do Céu e da Terra porque revelas estas coisas aos pequeninos e humildes” (Mt 11, 25). Entrar no encanto desta prece e fazê-la minha. Pedir a Jesus para a rezar comigo, me colocar em comunhão com o Pai. Depois, no milagre de Lázaro, vai rezar: “Pai, Eu sei que sempre Me ouves, mas digo assim, para que os que estão à minha volta acreditem” (cf. Jo 11, 42). Com Jesus, rezar esta certeza que o Pai nos ouve sempre e o que importa é dá-Lo a conhecer. Depois há-de rezar O “Pai-Nosso”, a nossa oração por excelência. Rezá-la hoje de um modo novo e assumir cada um dos seus incisos. Jesus me ajudará a rezá-la melhor e com mais profundidade. É isso que Ele quer. Depois, na oração sacerdotal, em júbilo gozoso, dirá: “Pai bom”; “Pai Justo”; “Pai Santo”. Pegar nesta oração em João 17, e rezá-la pedindo os sentimentos do Filho bem-amado. Fazê-la minha, apropriar-me das palavras e dos sentimentos. E fazer o mesmo para outras orações que vêem no Evangelho.

O Pai é o grande interlocutor do Filho, sobretudo nas longas horas de oração, nas vigílias, nas madrugadas, nas noites inteiras, no monte, em comunhão com o Pai. Aí se realizam os momentos da intimidade mais pura e mais englobante. O Filho está no Pai e o Pai está no Filho. Que dirão um ou outro? Que expressões de vida, de amor, de coração… Que enlevos e que encantos… que intimidade!!! Entrar, pedir delicadamente para entrar neste segredo de amor, nesta doce e terna intimidade. Eu, com Jesus, em comunhão com o Pai. Eu com o Pai em comunhão com Jesus. O Espírito, mestre de oração, nos ajudará. Somos sempre Trindade de amor e de oração. Nós já lá estamos com todo o amor, dom do Pai, do Filho e do Espírito. Aí me encontro, me realizo, me faço mais santo, entro na intimidade. Pedi-la, desejá-la, não querer outra coisa. O nosso coração é catedral do encontro. Dentro de nós buscar o deserto da intimidade e do silêncio. 

Jesus vive como “contemplativo na vida”, unido ao Pão. Tudo é ocasião para pensar no Pai e Lhe rezar: os lírios do campo, a lâmpada, o fermento, o pôr-do-sol vermelho, os figos, etc. etc. Rezar na vida, no trabalho, no campo. Rezar com a natureza, entrar em intimidade. Precisamos de aprender esta arte de ser contemplativo na vida. Sempre em comunhão com o amor, fonte de todas as coisas. Sempre em diálogo, sempre em contemplação, sempre em busca de uma comunhão cada vez maior. O Pai é o Tudo de Jesus e tem que ser o nosso Tudo. O Tesoiro da nossa vida, a Pérola do nosso coração. Pedir muito este dom. Fazer exercícios de contemplativos na acção.