Creio em Deus Pai, O Senhor da Ceia

A Eucaristia, a Ceia do Senhor, é centro e cume, fonte de vida e de santidade, é o nosso “Mistério da Fé” por excelência. Viver o “Mistério da Fé” é essencial para o Ano da Fé.

 

1º Foi o amor do Pai, como Deus de amor, que libertou o Povo eleito do Egipto, que o mandou celebrar a Páscoa, cada ano, comendo o Cordeiro pascal. A história da salvação, sobretudo a libertação do Egipto e a celebração da Páscoa, são actos do amor de Deus, que hoje descobrimos como Pai (cf. Ex 12, 1-14). A Ceia pascal era figura da Ceia que Jesus havia de instituir. O Cordeiro pascal era figura do verdadeiro Cordeiro, Imaculado e Imolado, que tira o pecado do mundo, o Filho, o Verbo encarnado. Tudo o que se diz nesses textos do livro do Êxodo encontra realização em Jesus Cristo. Importa perceber como, durante séculos, o amor do Pai, através da celebração da Páscoa judaica, preparou a Páscoa da nova e eterna aliança. Perceber esse tecido amoroso do amor do Pai que conduzia tudo para o Cordeiro pascal, o seu Verbo encarnado. É Ele, Jesus, o verdadeiro Cordeiro. N’Ele temos a vida, a graça, a nossa libertação, porque o Pai nos concedeu, em Jesus, essa Aliança nova (cf. 1 Cor 11, 23-26).

2º O próprio Jesus, no discurso do Pão da Vida, no Evangelho de João, nos diz que Ele é o Pão Vivo descido do Céu, mas que esse pão é dom do Pai: “O Pai é que vos dará o verdadeiro Pão do Céu” (cf. Jo 6, 32-34). Pão celeste que dá Vida, Pão que alimenta e fortalece, Pão que sacia, Pão que nos dá a semente da vida eterna. E a maior riqueza deste Pão que o Pai nos dá, que é Jesus, seu Filho, é a graça de nós permanecermos n’Ele e Ele em nós: “Quem Me come permanece em Mim e Eu nele”. Permanência activa do amor que nos irá transformando, cristificando, divinizando. Esse alimento celeste, que o Pai nos dá, vai-nos transformando em Jesus. E essa permanência n’Ele faz com que duas vidas, a de Jesus e a nossa, sejam uma só. Dois seres, um só ser, dois corações um só coração. É esta graça imensa que o Pai quer realizar em nós pelo poder da Eucaristia, do Pão do Céu, dom do seu amor.

3º Tomar atenção, rezar, saborear como toda a liturgia da Missa é rezada ao Pai. Ele é o Centro, o culto do Pai é o cume de todo o culto cristão. Saborear cada oração como oração feita ao Pai. E, depois, fazermos de nós próprios, com Cristo Jesus, o Cordeiro, uma oferta viva, digna do Pai. S. Paulo recomenda-nos que sejamos “hóstias vivas”, em oblação ao amor do Pai, na Eucaristia, com Cristo, por Cristo e em Cristo. Cada celebração dá-nos a graça de sermos vítimas oferecidas com Ele, com Jesus, para glória do Pai, para louvor da Trindade. Não ter medo de me oferecer. Em Jesus, sou assumido e vivo a graça de ser aceite pelo Pai, para que o mundo tenha vida e a tenha em abundância. Não desejar outra coisa. Somos para a Eucaristia, para nos oferecermos com Jesus ao amor do Pai. Renovar essa oferta. Tomar bem consciência dela.

4º Que pena que o dom por excelência do Pai, a Eucaristia, o Pão Vivo descido do Céu, seja, às vezes, tão mal celebrado, tão mal vivido. Comunhões mal feitas, acção de graças reduzida, atentados, “crimes” contra a Eucaristia. Há ultrajes, sacrilégios e indiferenças, como o Anjo disse em Fátima aos Pastorinhos. Há roubos de hóstias consagradas para bruxaria, missas negras, seitas satânicas. Quanto pecado!!! Quanto mal feito a Jesus, o Pão Vivo descido do Céu! E falta-nos mais adoração, mais companhia, mais reparação, mais presença a Ele, em sacrário. Precisamos de nos converter à Eucaristia. Vivê-la com mais amor, mais fé, mais respeito.