De África para aquecer o futebol distrital…

Eles estão aí. Vieram de lá de longe, do continente africano, para se valorizarem a todos os níveis, mas sobretudo ao nível formativo. Ou seja, pessoal, social e profissionalmente. Frequentam o Ensino Superior, no Instituto Politécnico de Bragança. Uma referência no universo do Ensino Superior no país e além fronteiras. 

Unidos pelas origens, criaram a Associação de Estudantes Africanos de Bragança.

O seu dinamismo tem sido notório no contexto académico brigantino. Para além disso, esta época, surpreenderam os adeptos do futebol local, com a apresentação de uma equipa que se propôs participar no Campeonato da Divisão de Honra da A.F. Bragança.

À primeira impressão, poderia pensar-se que muito arrojado, poderia sair fracassado, tendo em conta o contexto em que os seus mentores se movimentam e as limitações subjacentes.

De facto, arrojado é. Mas a audácia e o entusiasmo que demonstram têm contrariado alguns pessimismos que inicialmente pairavam nas “tacanhas” mentes de “boleiros” que por aí proliferam, querendo sempre afirmar-se como arautos do saber “bolístico” e do controlo dos meandros do mesmo.

Confesso que o surgimento desta equipa a competir na prova rainha da A.F.B. suscitou em mim um misto de surpresa e curiosidade, mas vendo na ideia um desafio interessante, que merece ser apoiado pelos adeptos da bola e não só. Penso que, pelo menos, terá o apoio possível dos responsáveis do IPB. E, no meu entender, bem. È que não será fácil encontrar um caso semelhante no universo universitário nacional. 

A curiosidade que despertou em mim tem sido suficientemente motivante para procurar estar a par dos resultados conseguidos e da afluência de espetadores, quando os Africanos jogam.

Há dias marquei presença numa das partidas por esta equipa disputada e verifiquei que, se no que toca número de espetadores, me pareceu ultrapassar em número e em entusiasmo desafios onde são intervenientes clubes mais “graduados” e financeiramente muito mais apoiados, quanto à atitude competitiva ultrapassou as minhas expectativas.

O grupo pareceu unido e convencido de que na união e convergência, reside a força na acção. 

As provas estão à vista. São inequívocas. Quando foram já disputadas oito jornadas, a equipa, liderada, tecnicamente, por Vítor Reis, comanda a tabela classificativa, somando 18 pontos, mais 05 que os segundos classificados, o Vila Flor e o Argozelo, embora estes tenham realizado menos dois jogos. Porém, tem mais 06 pontos que o G.D. Bragança, como o mesmo número de partidas efetuadas.

Pelos resultados até agora conseguidos, pelo arrojo dos seus propósitos, não posso deixar de apresentar os meus parabéns aos mentores desta ideia e a todos quantos nela participam e a apoiam. 

Só desejo que os meandros da bola sejam tão eficientes no tratamento igualitário, quanto se espera que sejam clarividentes nas apreciações.