De quando em vez …

Figuras da cidade de Bragança

“Asas e Portugal! As Caravelas dos espaços astrais…
Asas de Portugal! – A liberdade das horas cruciais
do amor à Pátria e sua integridade!”

António Maria Cardoso
1 de Julho de 1984

No início dos anos cinquenta, dezenas de jovens transmontanos desde a Régua até Bragança fascinados pelo avanço e afirmação da então “Aeronáutica Militar”, ingressaram nos seus quadros de pilotos, técnicos e especialistas, começando o seu périplo militar na sempre funcional Base Aérea nº 1, Sintra.
Estes mesmos jovens olhavam então para a Aviação Militar como uma meta a atingir, integrando-se de alma e coração aos cursos e programas que esta Instituição oferecia com verticalidade na época muito parca em recursos materiais, mas muito rica em padrões de respeito e dignidade social.
Depois com a mutação da Aeronáutica Militar em Força Aérea, Ramo Independente das Forças Armadas, em 1952, entra-se numa fase de ajustamento orgânico, o qual iria durar até 1955.
Assim, em 1 de Julho de 1956, comemora-se o “Dia da Força Aérea”com grande imponência num festival aeronáutico no Aeroporto da Portela de Sacavém, agora designado Aeroporto de Lisboa.
Na continuidade destes acontecimentos, no festival atrás referido, actuaram pela primeira vez os já famosos Dragões, patrulha acrobática comandada pelo então capitão Moura Pinto, mais tarde coronel, infelizmente já desaparecido, natural de Bragança, e mais quatro componentes, que deixaram extasiados público presente, cerca de 30.000 pessoas, pela extraordinária precisão de manobra e arte de executar figuras de antologia, conseguidas pelos 4 aviões F-84-G.
“Os Dragões”, durante cinco anos criaram grande notoriedade internacional pelo nível das suas exibições.
Mais tarde foram sucedidos pela patrulha “Asas de Portugal”, que em 1 de Julho de 1984 encheu os lhos daqueles que puderam estar no Aeródromo de Vila Real a assistir às comemorações do Dia da Força Aérea.
Com o advento da guerra em África a juventude trasmontana numa tentativa de defesa da integridade ultramarina e pluricontinental do Estado Português aderiu em massa à Força Aérea.
Eram assim, generosos, dedicados e capazes os jovens transmontanos.
Foi assim que a Força Aérea dignificou a sua presença na Guiné, Angola e Moçambique durante os quase catorze anos de campanha com o préstimo total de muitos jovens transmontanos hoje no grupo etário dos nossos 60/70 anos, que, recordam com saudade, camaradagem daqueles tempos ainda para muitos a bailar no seu pensamento.
No presente e de regresso ao “Triangulo Estratégico Português” a Força Aérea continuou a exercer as suas missões.
Os jovens transmontanos continuaram a prestar serviço na Força Aérea, e também Bragança apostou neste objectivo.
Neste modo, no presente, cumpre-se apresentar O Major-General Piloto Aviador Amândio Miranda nasceu na freguesia de Rio Frio, concelho de Bragança. Concluídos os estudos no antigo Liceu Nacional de Bragança, ingressou na Força Aérea em Novembro 1977.
Terminada a fase académica do Curso de Pilotagem Aeronáutica na Academia da Força Aérea, frequentou o Curso Básico de Pilotagem, tendo recebido o Brevet de Piloto Aviador na Base Aérea nº 1 (Sintra), em Outubro de 1982. As competências posteriormente adquiridas com a frequência dos Cursos de Pilotagem em Aviões de Combate e em Aviões Multimotores permitiram-lhe servir a Força Aérea como Piloto Instrutor, na antiga Base Aérea nº 2 (Ota) e Co-Piloto e Piloto Comandante na Base Aérea nº 4 (Lajes), Açores.
Ao longo da sua longa carreira militar percorreu todo o trajecto estatutariamente desenhado para um Oficial da Força Aérea, quer como piloto operacional, como já referido, quer nas funções de Comandante das Esquadras de Voo 101, 503 e 711, Comandante do Grupo Operacional41 e Comandante da Base Aérea nº 1, em Sintra.
Foi ainda chamado a servir como Assessor do Ministro da Defesa Nacional e como Director de Instrução da Força Aérea.
Em termos de representação nacional foi Adido de Defesa junto das Embaixadas de Portugal em Roma e em Ankara.
Promovido ao posto de Major-General em Agosto de 2009, desempenhou desde então as funções de Chefe de Gabinete do Chefe do Estado-Maior da Força Aérea e, no âmbito NATO, de 2º Comandante do Centro de Operações Aéreas Combinadas, em Madrid - Torrejon.
É, actualmente, o 2º Comandante do Comando Aéreo, entidade responsável por planear dirigir e controlar toda a actividade operacional da Força Aérea.
Do seu currículo constam vários louvores e condecorações, das quais se destacam três Medalhas de Serviços Distintos, as Medalhas de Mérito Militar, Mérito Aeronáutico e Comportamento Exemplar, grau Ouro e Prata.
Mantém uma forte ligação afectiva e institucional à terra onde nasceu e viveu até ingressar na Força Aérea, tendo sido homenageado pelo Aeroclube de Bragança em Setembro de 2011.
É casado com uma senhora, também transmontana, tem dois filhos, e mora em Algés.
Finalmente, ingressar na Força Aérea é contribuir com a sua acção decisiva na sociedade portuguesa na continuidade da gestão gloriosa da Aviação Militar, a, qual sendo embora curta no tempo, é já longa e altamente relevante no extenso rol dos serviços extraordinários e heróicos prestados à Nação.