De quando em vez (Parte I)

 
Foram transmontanos que marcaram ao longo dos tempos, uma presença efectiva no desenvolvimento que, é hoje a Força Aérea Portuguesa.
Em Moçambique, nos anos 1962/1963, tivemos o privilégio de servir com um grande comandante, o então o tenente-coronel piloto aviador, Gualdino Moura Pinto, na recém formada Base Aérea número 10, situada na segunda cidade desta província ultramarina “A Cidade da Beira”.
O tenente-coronel, Moura Pinto, era na altura o Comandante do Grupo Operacional da referida Base Aérea que, detinha toda a gestão de utilização de todos os meios aéreos desta infra-estrutura aeronáutica.
Dava gosto trabalhar com este ilustre oficial de tratos simples, culto, decidido, equilibrado, (sofrendo imenso com muitas das opções que tinha que tomar quando estava em causa o futuro das pessoas) distinto, e intrinsecamente honesto. Era igualmente exigente e perseverante mas, compreensivo com as permanentes falhas da natureza humana. Sempre solidário e amigo em qualquer situação.
Era verdadeiramente estimado e admirado por todos com quem trabalhava.
O  coronel, Moura Pinto, nasceu em Pombal numa pequena aldeia   no concelho de Carrazeda de Ansiães, no dia 2 de Agosto de 1924.
Ingressou no curso de Aeronáutica em 27 de Julho de 1944, que concluiu em 1946, sendo colocado em Espinho na Esquadrilha Independente de Aviação de Caça, em Setembro de 1947.
O seu percurso militar teve aspectos muito interessantes pouco conhecidos mas de alta elevação da então Aeronáutica Militar Portuguesa.
Deste modo, com o posto de tenente piloto aviador, chefiou uma formação de 5 aviões a Inglaterra em Julho de 1951, para participar em filmagens, cujo o tema era a intervenção da Royal Air Force na Segunda Guerra Mundial, em particular, sobre a Batalha Aérea de Inglaterra. Esta missão decorreu com normalidade, com eventos interessantes tendo sido efectuadas cerca de 50 horas de voo das filmagens já referidas.
Para o nível tecnológico e experiência da época, esta missão Internacional foi considerada como um feito muito importante.
A seguir, já como capitão, no inicio de 1953, na Base Aérea numero 2 Ota, como Comandante de Esquadra fez a transição dos aviões clássicos de motor de pistão, para os de reacção F-84G, com muito entusiasmo, tendo formado a primeira patrulha acrobática “ Os Dragões” composta por 4 pilotos com ele incluído e também pelo capitão Lemos Ferreira que foi General Chefe de Estado Maior da Força Aérea depois do 25 de Abril de 1974. Ainda os sargentos pilotos Fernando Moutinho e Loureiro Peixoto hoje capitães já aposentados. (Continua