Este país em que vivemos

Nas últimas eleições legislativas e autárquicas verificou-se com grande acento tónico uma abstenção eleitoral que ao que parece, tem preocupado os partidos políticos. Na circunstância, foram feitas muitas analises politicas e também algumas sugestões, que na nossa humilde opinião o que está gasto e não mobiliza ninguém, é o próprio sistema partidário.
Assim, nos dias que correm, o português comum está profundamente desinteressado da actividade politica. A verdade é que toda a gente reconhece que as coisas vão de mal a pior, mas ninguém avança com soluções concretas para resolver este problema, muito menos os próprios partidos políticos.
Mais: se formos procurar uma definição de politica no contexto actual, ela seria a “arte de chegar ao poder e conservá-lo a qualquer custo pelo máximo de tempo possível”
Pensamos que as únicas motivações de um politico deveriam resumir-se ao sincero desejo de contribuir com a sua inteligência e o seu engenho pessoal para o desenvolvimento do país, sem prejuízo de, ao mesmo tempo, se envolver num tipo de actividade que lhe é pessoalmente gratificante como: gestão de recursos humanos, materiais, implementação de projectos diversos, definição de estratégias etc. Não há nada de errado nisto e, as pessoas podem render muito mais e são mais felizes quando estão nos lugares certos nos momentos exactos.
No entanto, pelo que temos visto, quem entra na política fá-lo quase sempre movido pelas motivações e alguns objectivos que a seguir indicamos:
1. Enriquecimento individual, por se prever auferir um vencimento superior ao que acontecia antes, na vida civil, por ter a clara percepção que se irá colher muitos benefícios
2. Atracção fatal pelo poder e necessidade de exercer autoridade sobre subordinados.
3. Promoção social; culto da personalidade; ser conhecido na rua, comer em bons restaurantes, conhecer gente importante etc., etc.
Deste modo, a afirmação acima referida e relativa a enriquecimento individual, aparece quase diariamente na comunicação social com os reportes a escândalos e ao tráfico de influências, que vão desde a mais extensa rede de interesses que infelizmente chegam às mais altas cúpulas do poder.
Em boa verdade, os políticos de hoje não são piores que os do passado, claro, exceptuando-se algumas honrosas excepções, e o poder e a riqueza muitas vezes ligados à actividade politica atraem algumas pessoas, como a podridão atrai as moscas.
Para além de tudo isto, aparece o “Terceiro poder”, ou seja a “Comunicação Social”. Nos dias que correm, grandes e poderosos grupos económicos que por razões económicas estão por de trás de estações de televisão e de alguns jornais ou revistas. Eles enriquecem a entreter as pessoas e a vender noticias.
A seguir às tragédias, o que se vende mais são os escândalos, muitas vezes apoiados em fontes pouco seguras, que levantam deste modo falsos testemunhos.
Todos sabemos, que por vezes são ditas mentiras nos jornais ou, pelo menos, verdades mal contadas que conseguem ao levantarem uma suspeição manchar uma reputação que até podia não ter mácula.
É evidente, que é ao mesmo tempo importante o papel da comunicação social levantando as primeiras pistas sobre casos de corrupção e outros ilícitos.
Finalmente, a permanência no poder deveria ser reduzida porque a possibilidade da perpetuação é muito perniciosa e conduz muitas vezes à formação de grupos restritos em que a satisfação de interesses privados e pessoais é o que predomina.
Nesta linha de raciocínio, foi triste assistirmos recentemente ao espectáculo proporcionado por alguns políticos autárquicos que estavam no poder há dezenas de anos, quando confrontados com a perspectiva de serem substituídos à força. O seu apego patético ao poder ficou então bem claro.
A fechar, esperamos numa próxima oportunidade voltar a este tema pela sua flagrante actualidade.