Eu ‘show’ Marcelo

Eram 15 iniciativas previstas para levar a cabo em pouco mais de dois dias, porque Marcelo Rebelo de Sousa, como o próprio reconhece, é hiperativo. Mas acabaram por ser um pouco mais porque há sempre alguém que acena de uma janela ou se chega mais um pouco à comitiva e este Presidente não se faz rogado a distribuir beijos, abraços e apertos de mão.
Enquanto andava pelas ruas de Bragança (fugindo, mais uma vez, ao protocolo e à comitiva de seguranças), o Presidente da República partilhava com o Mensageiro algumas notas. Que este exercício físico inesperado até fazia bem, que estava muito satisfeito pela receção dos transmontanos, o que não é novidade pois, como o próprio Marcelo frisava, Bragança “é uma cidade acolhedora” e o Presidente até tem “uma relação muito próxima com a região”, pois o seu padrinho de batismo é nada mais, nada menos, que Camilo Mendonça, responsável, entre outras coisas, pelo complexo do Cachão. “Para além disso, também mantenho uma colaboração com o Mensageiro, e até dei uma entrevista, o que não é muito comum”, fazia notar.
Discurso interrompido, outra vez, pois lá vinha mais um pedido de beijinho, por entre gritos de “Marcelo, Marcelo”, como se o próprio Presidente tivesse marcado um dos golos que se queixavam que faltavam à Seleção.
Parados, no meio do passeio, entre o receoso e o incrédulo, três turistas francesas nem queriam acreditar no que lhes diziam: “é o Presidente da República?”, tal o à vontade e afeto demonstrado, sem olhar a poupanças de mais um abraço ou um pedido para outra selfie.
Foi assim ao longo de praticamente toda a visita a Trás-os-Montes, com o clima de boa disposição apenas interrompido por um ou outro comentário sobre a situação das sanções que não foram sancionadas por Bruxelas ou uma - rara - bicada ao Governo, já em Vila Flor.
No mais, Marcelo foi igual a si próprio. Distribuiu afetos como se não houvesse amanhã e concentrou as luzes dos holofotes, que são muitos de cada vez que o Presidente da República se desloca.
E só isso faz a diferença para uma região habituada a ser olhada à distância, lá de longe, como se de lá aqui não fosse tão largo o caminho como de aqui até lá.
Momentos que ajudam a pôr Trás-os-Montes no mapa e que ajudam a mostrar “o que de bom por cá se faz”, como diz Marcelo.
É pena que seja só nestas alturas que os holofotes se ligam e apontam para uma região que merece mais.