Eutanásia: só Deus te pode levar

A eutanásia está em discussão, a pedido das esquerdas do país. E vai ser discutida ainda no dia 29 (Quarta-Feira), às 21h00, no salão de festas da Escola Secundária Emídeo Garcia a fim de que, quem o desejar, possa ficar mais bem esclarecido sobre o que está em jogo. É uma iniciativa da Comissão Diocesana Justiça e Paz e da Associação dos Médicos Cristãos Católicos.
O que é a eutanásia? A palavra, de origem grega, é construída pelo advérbio eu e pelo substantivo thanatos, significando boa morte ou morte sem dor. Na origem, pressupunha morte natural e não assassinato sem dor a pedido do doente. Hoje, é usada nas comunidades médica e de enfermagem como suicídio assistido e sem dôr mas o que ela é, de facto, é um homicídio sem dor, sem que a pessoa que é assassinada sinta a violência que estão a praticar contra ela. O contrário da eutanásia é a distanásia, implicando o prolongamento máximo possível da vida.
Ninguém se mata a si próprio, portanto não se trata de suicídio; é outrem quem mata a pedido de quem quer ou quis morrer, seja o pedido presencial-declarativo seja diferido no tempo, neste caso na forma de testamento vital, isto é, uma declaração solicitando a morte sem dôr em caso de doença incurável ou de situação vegetativa ou equivalente.
Dizem-nos que é possível cada pessoa fazer o seu testamento vital e declarar vontade de morrer se ficar num estado vegetativo ou semelhante. Porém, a eutanásia perante tal testamento é muito polémica por duas razões principais: 1) porque o testamento ou declaração podem ter sido condicionados por um estado menos esclarecido ou consciente e ainda porque ninguém quer morrer quando no estado moribundo e com consciência dele; 2) porque, à luz dos princípios cristãos católicos, da Constituição e da Lei Penal só Deus pode tirar a vida sendo entendida a eutanásia como homicídio.
Toda a história da civilização cristã (evangélica e católica) é baseada no princípio de que há dois momentos na vida do ser humano que não dependem da vontade deste mas da de Deus: a concepção/nascimento e a morte. As constituições dos diferentes estados ocidentais incorporaram este princípio e nelas foi inserido que «a vida humana é inviolável» e que «ninguém pode ofender ou molestar física e psicologicamente a outrem». Por isso, praticar a eutanásia é uma agressão à dignidade do ser humano e é um crime.
No entanto, dizem os defensores da eutanásia que há limites para o sofrimento humano, para além de que os recursos para os cuidados hospitalares e para os cuidados paliativos também não são inesgotáveis, sobretudo face às elevadas taxas de envelhecimento, e, portanto, um dia, teremos de definir as circunstâncias e os requisitos para a antecipação do fim legal da vida em relação ao fim que a ordem de Deus estabeleceria, tendo de alterar a Constituição e a Lei Penal.
É muito perigoso introduzir a discussão nestes termos. Quais as circunstâncias e limites? Por que sim uns e não outros? Quem poderá praticar a eutanásia? Os médicos católicos, e bem, dizem-nos que não querem essa responsabilidade e pedem para ela não ser atribuída nem aos médicos nem a ninguém porque há «declarados moribundos» que recuperam a consciência e a vida e porque só a Deus compete tirá-las. Já basta ter de desligar as máquinas em casos de prolongamento artificial da vida, o que constitui ortonásia.