Frei Bartolomeu dos Mártires

 No dia 8 de Maio realizou-se na Academia das Ciências de Lisboa uma sessão sobre a memória e homenagem a Frei Bartolomeu dos Mártires, que foi talvez o maior notável interventor do Concílio de Trento. Foi decidido que nas exposições seja sobretudo salientado a atualidade da sua intervenção, doutrina, e sobretudo exemplo de vida que levou à santificação pela opinião da população do seu tempo amargurado por crises europeias, sociais, militares, económicas, e sobretudo religiosas, capítulos que este nosso século sem bússola abriu largamente, e por isso deve insistir-se na atualidade do seu comportamento e doutrina. Tendo muito em conta que o Papa Francisco vai ter, ou melhor já tem, de enfrentar uma situação semelhante nas causas, e imprevisível nos consequencialismos das imprudências que por largas faixas de responsáveis anda ligada à convicção de que podem construir casas sobre a água ou fazer crescer plantas sem raízes. Assisti esta semana a uma sessão de um movimento cívico sobre a Portugalidade que teve lugar nos Jerónimos, e ocorreu-me, certamente pelo sagrado do lugar da intervenção, que este ano, no 1.º de Dezembro, que está a contar já com uma cerimónia importante de celebração da data em Vila Real, também em Bragança, no Castelo que abrigou o Regimento de Mouzinho de Albuquerque, pudessem celebrar de algum modo a reação contra o Ultimatum de 1890, em que ele foi símbolo para sempre. É certo que, por razões incertas, se suicidou, e ajudou Unamuno a escrever sobre o povo português alguns conceitos dispensáveis, mesmo vindo do amigo nosso que era. Mas isso não impede que nesta situação de submissa observância de políticas impostas, pela necessidade, mas também pela arrogância externa que naquela data igualmente nos atingiu, lembremos um cavaleiro das tropas portuguesas que honradamente defenderam a igual dignidade do País na comunidade das Nações. Não é apenas o credo dos valores que Frei Bartolomeu implantou que necessitamos de celebrar, é também o credo do civismo que se acrescenta à maneira portuguesa de estar no mundo. São estes os valores com que contribuímos para o património comum da humanidade, por muito que não possa ser uma herança desligada de erros humanos. Mas o que interessa são as emergências; neste caso, o credo dos valores de Frei Bartolomeu dos Mártires e o credo do civismo, ambos contrapostos à supremacia do credo do mercado sem regras éticas.