«A Igreja Católica é o obstáculo a abater»

1. Há poucos dias, a Pontifícia Comissão Teológica Internacional publicou um extenso documento, intitulado "Deus Trindade, unidade entre os homens. O monoteísmo cristão contra a violência", que foi pedido por Bento XVI e agora terminado e publicado sem dúvida com o assentimento do Papa Francisco. Trata-se de um documento de grande importância, não apenas do ponto de vista da doutrina, mas além disso pelo facto de apresentar, com clareza e frontalidade, a denúncia de uma agressão grave ao monoteísmo religioso — e em especial à Igreja Católica — por parte da cultura laicista hoje dominante. Esta denúncia de uma perseguição à Igreja Católica é grave: porque confirma uma queixa que se tem vindo a formar, no interior das comunidades católicas dos vários países; e porque consubstancia um ataque (absolutamente inadmissível em pleno século XXI) às liberdades fundamentais de religião e de pensamento, que são autênticos direitos humanos.

2. «A Igreja é o obstáculo a abater» — é este o desígnio que o documento vê, na maré de ataques de diversas origens, políticos, legislativos, jurisdicionais e mediáticos, visivelmente promovidos por movimentos ideológicos e partidários, que se tornam evidentes por exemplo nos parlamentos, nas universidades e na maior parte dos meios de comunicação social. Recorde-se como exemplo a recente iniciativa da deputada Edite Estrela, derrotada no Parlamento Europeu. Movimentos que contam com fortes apoios de poderes económicos adeptos da «estratégia Kissinger», e com o espírito relativista e niilista do tempo.

3. Lê-se num impressionante artigo de Massimo Introvigne, bem conhecida e ilustre personalidade culta italiana, precisamente em comentário ao referido documento: como se tenta abater a Igreja? Atribuindo-lhe a responsabilidade de todas as piores violências da história e, sobretudo, de um papel intolerante, o qual — afirma-se — deriva da fé na existência de verdades absolutas, garantidas por Deus Criador; na existência de uma natureza que a razão pode conhecer e decifrar como verdade. Por outras palavras: deriva da recusa católica do relativismo; deriva do monoteísmo, o qual é acusado de formar fanáticos e intolerantes.

4. A verdade é que não se trata de simples opiniões livres; trata-se de um poderoso movimento, por detrás do qual existe um «projecto totalitário de um pensamento único», fundado sobre um «sentimento relativista total»: é a ditadura do relativismo, que agride todos aqueles que crêem que existe a verdade.
Para esta ditadura do relativismo, a Igreja Católica, ao ensinar o monoteísmo, seria responsável por uma violência! É que — pressupõem — se há um só Deus, há também uma só verdade. Se houver mais deuses, então são possíveis mais verdades. Só o politeísmo garante o relativismo. E o relativismo tem de ser imposto a todos.

5. Esta tese é indefensável. A afirmação da verdade não implica obrigar ninguém a pensar assim. O monoteísmo é uma crença não violenta. A religião politeísta romana foi persecutória contra o monoteísmo cristão; os laicismos soviéticos e nazis foram genocidas. Hoje, em todo o mundo, o cristianismo propõe-se mas não se impõe a ninguém pela força; antes quer conviver pacificamente, em paz com os não crentes e com todas as religiões. Pelo contrário, é o cristianismo, sobretudo o católico, que sofre perseguição. E o requinte supremo dessa perseguição é, como sempre na história, caluniando o perseguido e acusando-o de perverso e merecedor de morte.