A lição da experiência

Bragança tem um Castelo com enorme significado na História portuguesa, por ser a referência de um passado centenário, sendo que a última, de minha lembrança, e se a memória me ajuda, é ter sido a sede do Regimento de Mouzinho de Albuquerque. A morte deste herói não tem explicação demonstrada, mas é seguro que morreu, como Afonso de Albuquerque, mal como os homens por amor ao Rei, e mal como o Rei por amor aos homens.
O fim do serviço militar obrigatório, cujas lacunas, na área da defesa e segurança, foi preenchida, nos Estados com meios, como os EUA, pelo infeliz recurso à privatização da defesa, que tem já um historial lastimável, teve um efeito depressivo, inevitável nas regiões dos países que correspondem à dimensão portuguesa, o qual ainda perdura na memória dos mais velhos. Neste infeliz século sem bússola que nos aconteceu, o efeito depressivo vai sendo construído por parcelas, à medida que serviços fundamentais, que dão identidade e justificação ao Estado, vão sendo submetidos a redimensionamento ou extinção. Temos visto que cada uma das parcelas desse desmoronamento, por vezes amavelmente chamado racionalização, suscita reações da sociedade civil, já enfraquecida por factos que lhe são estranhos na origem, tornados conhecidos por vozes até hoje sempre ordeiras e corajosamente pacificas mesmo em face de prospetivas pouco animadoras.
Há, entre tais factos, um que exige especial atenção de quem tem a responsabilidade de governar, e que é o do ensino e da investigação, isto é, do saber e do saber fazer. Foi inutilmente pregada, durante anos, a necessidade de acompanhar com racionalização a rede nacional, que não diz apenas respeito à rede pública de universidades e politécnicos, também abrange a rede privada de ambas as vertentes, a rede concordatária, e a rede militar. Uma visão estratégica puramente orçamental, por natureza é alheia às circunstâncias da realidade social, na qual se destaca hoje a interioridade enfraquecida que cresce ao longo de toda a fronteira terrestre do país, e precisa também de algum levantamento da problemática marítima, em termos global.
Mas orçamento não é suficiente para avaliar qualidade, indispensável contribuição para o património nacional do saber e do saber fazer.
Bragança tem direito a que o critério do orçamento não seja acompanhado do esquecimento do que deve ao seu Politécnico, e também não pode deixar ignorar o consequencialismo desse esquecimento. Esta nota é por lembrança. Que vai exigir atenção aos anunciados contributos que virão da União Europeia.