Machetadas

Propunha-me escrever sobre a abstenção e o extraordinário aumento dos votos nulos e brancos nas últimas autárquicas, e os sinais de doença que representam para o regime, mas a última machetada obriga-me a adiar o propósito. Pessoalmente nada tenho contra Machete, ele ser ministro dos Negócios Estrangeiros provoca-me irritação em virtude dos seus sucessivos dislates a, certamente, levarem representantes de outros países a desconfiarem da sanidade política de quem manda. Para já é o que temos. Machete é uma arma de duas lâminas, grossa de largo uso no mato, outros modelos armaram gente de toda a espécie, também estará aparentada com a artilharia e ainda é sinónimo de cavaquinho que enviámos para o Brasil, sendo tocado em meios rurais. Temos assim o ministro Rui dono de um apelido rompante que no universo da diplomacia só por si provoca piadas finas (diplomáticas) passando a espessas (grosseiras são antagónicas ao estilo bofetada com luva branca bem engomada) por causa da sua inaptidão para o cabal desempenho do cargo. A salganhada resultante da entrevista à rádio angolana retirou-lhe a imunidade de não poder ser criticado ferozmente, a recusa (para já) de retirar as convenientes ilações do deslize verbal torna-o alvo fácil da oposição além de no Palácio das Necessidades ser entendido como desnecessário. Noutro plano o desaforo de Machete trouxe ao de cima ligações sabidas nos mentideros onde entram advogados estrela, dirigentes angolanos, interesses avultados a começar na banca e a acabar na comunicação social (grupo Joaquim Oliveira), passando pelas telecomunicações e imobiliário. Dá a impressão que a entrada de Machete no escalão da terceira idade em vez de lhe fazer refulgir a sapiência, antes pelo contrário revela-lhe insensatez própria dos verdes anos. Nalguns círculos frequentados por gente bebedora do fino deplora-se o caso não pelo ruído estilo mastigadores de pipocas durante a exibição de filme dramático, sim porque se ruído propicia espúrias raivas (Jornal de Angola), o dito dá azo a ajustes de contas na área dos negócios e desprestígio nas chancelarias. Dono de enorme cadeia de contactos, credor de grandes e pequenos favores no mundilho lisboeta e não só, o ministro confia na pujança dessa conta-corrente, no entanto, esquece a evidência: os mídia obrigam-se a serem vorazes especialmente quando afligidos pela banca, daí os machetes informativos o terem cortado às postas. Ele não é uma fonte, é um fontenário de notícias.