MARATONAS (e sustentabilidades

 

Da campanha eleitoral recente do muito que se disse e do que se não disse há um ponto reconhecidamente comum: a sustentabilidade da Segurança Social. Igualmente está na agenda política desde há muito e com grande premência a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde.

 

No dia 28 de Setembro foi apresentada à Assembleia Municipal de Moncorvo uma manta com mais de um milhar de quadros tricotados por moncorvenses seniores no âmbito das respetivas instituições de solidariedade social concelhias. Por feliz coincidência nesse mesmo dia estiveram no nosso distrito as duas diretoras da Maratona da Saúde que reuniram com Sobrinho Teixeira e Helena Pimentel respectivamente Presidente e Diretora da Escola de Saúde do Instituto Politécnico de Bragança.  Foram ainda recebidas pelo Presidente da Câmara Municipal de Bragança e pela vereadora Piedade Menezes em Moncorvo.

No dia 8 de Outubro foi inaugurado no Estoril o Greenfest sobre o lema da sustentabilidade onde foi referido e louvado o contributo da Gulbenkian para a sustentabilidade do SNS, especialmente o programa de redução da incidência da Diabetes, já referido por mim num texto anterior.

E o que é que cada um destes acontecimentos tem a ver com todos os outros? Todos têm a ver com todos! Não tenho, infelizmente contributos para resolver o grave problema da Segurança Social. Mas estou certo que a solução para a manutenção do SNS não pode basear-se apenas no aumento das transferências do exaurido Orçamento de Estado. A evolução exponencial dos custos recentes demonstram a incomportabilidade futura. É necessário apostar em dois outros vetores que ajudem a montante das intervenções médicas curativas.

O custo crescente dos equipamentos médicos, dos meios de diagnóstico e dos medicamentos inovadores só pode ser combatido com a diminuição de utentes desses meios. Para isso há duas formas de atuar: por um lado apostando na prevenção evitando as doenças e por outro fomentar a investigação científica de forma a que a atuação médica seja mais eficaz, mais cedo. Ganhará o SNS que ao atender menos utentes liberta meios e recursos para investir em melhores tratamentos e, sobretudo, ganham os cidadãos em dose tripla: são menos os que precisam de cuidados médicos, têm melhor tratamento os que a eles recorrem e são menos penalizados os contribuintes devido à inversão da taxa de crescimento dos custos de saúde. São precisamente estes dois vetores os principais objetivos da Maratona da Saúde: divulgar e ajudar a prevenir as doenças mais relevantes e angariar fundos para promover e financiar linhas de investigação científica.

E então a que propósito se referiu a manta tricotada em Moncorvo?

A manta insere-se no primeiro dos objetivos das maratonistas. O alvo da Maratona da Saúde para este ano são as doenças neurodegenerativas. Ora as atividades motoras são uma das terapias para a prevenção de algumas dessas doenças. Sobretudo se, ao mesmo tempo estimularem o cérebro e, melhor ainda, se feitas em regime de cooperação. Tal como aconteceu com quem  tricotou e juntou as centenas de quadros que foram mostrados no Castelo de Torre de Moncorvo.