Marcelo

Antes de ser já o era: candidato. Ciosa e meticulosamente Marcelo andou anos a preparar a candidatura, embora possa parecer o contrário. Se o leitor desconfiar desta opinião faça o favor de ler um texto do famoso comentador inserido na obra – Adriano Moreira, Biblioteca em Bragança – e descortinará veios de construção da mesma, pois ao elogiar Adriano Moreira estende a hossana a ele próprio e ao pai Baltazar.
A actual crise política pode ter baralhado o calendário de tarefas a executar no sentido de conseguir a eleição à primeira volta, no entanto, tudo se conjuga para assim ser, até porque Marcelo colhe votos à direita e à esquerda, incluindo votantes comunistas, especialmente mulheres. Uma senhora a viver numa aldeia da periferia no Ribatejo, disse-me altaneira: vou votar no professor Martelo, arrancando gargalhadas de outras, pois gostam tanto dele que até lhe chamam Martelo.
O Dr. Passos e o Dr. Portas detestam o Professor Doutor, tentaram dificultar-lhe o propósito, não lhes restou alternativa, todos quantos lhe agradavam de Conrado retiraram prudente conselho e bateram em retirada, o último chama-se Rui Rio.
No reino socialista, agora dilacerado entre a satisfação dos desejos de uns no assalto ao reduto do poder, e os desejos de outros no servirem a vingança gelada em prato fundo, o antigo Presidente do PSD possui fundas e boas relações cultivadas e adubadas nas várias hortas onde Marcelo trata de toda a espécie de vegetais. Além de bom hortelão, consegue flores em terra de abrolhos, cogumelos nos campos áridos, sem esquecer o mel não tendo colmeias.
Se estou a exagerar? Não, não estou, nos últimos anos carreou para a mesa dos perguntadores televisivos centenas de produtos de todos os géneros, de variadíssimos lugares, ainda os livros, a maioria oferecidos à Biblioteca de Cabeceiras de Basto, terrunho da avó, bem nas entranhas do Portugal profundo.
Pois, pois é dono de enorme colecção de furibundas frases a provocarem estragos nos visados e consistentes retaliações, Pinto Balsemão é o exemplo mais notório. Só que, a legião de admiradores gosta de saborear as suas piadas estilo – fulano é tão ou mais inteligente que o meu cotovelo – está lélé da cuca – e por aí adiante.
O que virá a dizer durante a campanha relativamente  à situação política? Não faço ideia, mas faço intenção de apoiar e votar no criativo político que até conseguiu ganhar referendos à partida dados como perdidos. Lembram-se? Bem sei, os adeptos da regionalização não gostaram. Eu fiquei agradado.