A Matemática: factor crítico na escolha profissional

Nestes tempos que correm a matemática continua a ser um quebra-cabeças para os jovens.
Muitos cursos existem cm que as perspectivas de emprego estão quase fechadas. Psicologia, Antropologia, História, Sociologia, Direito, Línguas, Jornalismo, são alguns dos muitos exemplos desses cursos que têm como destino muito provável dos seus possuidores o desemprego, caso pretendam vir a exercer profissões dentro dos seus âmbitos.
Seria interessante fazer-se um inquérito entre os alunos do 9º ano, aqueles a quem se coloca um primeiro patamar da escolha profissional, e indagar dos critérios que eles utilizam para escolher a área de estudos a prosseguir Julgo que não erraria muito se afirmasse que a Matemática seria desses critérios. E não pelas melhores razões! Quero dizer com isto que determinadas actividades profissionais são, desde logo, excluídas pelos alunos por elas exigirem como requisito o saber-se Matemática ou, o que significa quase o mesmo, por esta disciplina constituir-se como um instrumento de trabalho num curso a frequentar ou numa profissão a exercer.
Ora, esta disciplino abre um vasto leque de oportunidades profissionais e, consequentemente, ela é determinante para a escolha vocacional. Acontece, porém, que muitos alunos, não tendo aprendido na altura devida os automatismos que lhes permitiram a resolução de operações mais complexas, foram acumulando deficits, os quais se vão acentuando à medida que a escolaridade vai avançando.
Esta situação actua, então, como um poderoso discriminador profissional e social. Eles autoexcluem-se de múltiplas profissões que hoje tão necessárias são para o desenvolvimento de um pais. A não existência dessa lacuna do conhecimento conduziria, certamente, a um espectro mais amplo de escolhas profissionais, ao exercício de uma actividade profissional que melhor os satisfizesse e, talvez, a um acesso mais fácil ao emprego.
Não se põe em causa, é evidente, a ida de alunos para as áreas das Ciências Humanas e Sociais.
Estas ciências constituem a alma deste corpo que é a sociedade tecnológica em que vivemos. Mas essa ida deveria decorrer de um desejo efetivo de as estudar e não de um último recurso a que se tem que lançar mão, pelo simples facto de elas não exigirem a disciplina de Matemática no seu acesso.