Matematicamente pensando: Aprender com os outros

 
A construção do conhecimento deve ter lugar nos diversos contextos onde o ser humano se movimenta.
O conhecimento constrói-se não só a partir do esforço individual de cada pessoa, mas também conjugando o esforço e os interesses individuais com o esforço e os interesses coletivos.
É possível aprender em contextos formais (instituição de educação e formação, cuja aprendizagem culmina com avaliação e certificação), contextos não formais (empresas, ou organizações, com cursos ou formações, cuja aprendizagem não é necessariamente objeto de avaliação e certificação) e contextos informais (contextos do quotidiano das pessoas, aprendendo-se com atividades associadas ao trabalho, à família ou ao lazer).
Uma sociedade só pode ser considerada evoluída se cultivar a vontade de aprender e de construir conhecimento em qualquer contexto. Assim, esta reflexão deve-se ao facto de recentemente ter surgido em Portugal um manifesto sobre a reestruturação da dívida portuguesa que envolveu a assinatura de 74 figuras da vida portuguesa de reconhecido mérito, abrangendo um amplo leque político, profissional e de especialidades.
Sobre o manifesto saliento algumas das opiniões apresentadas na imprensa nacional: Manifesto dos 74 transpôs a fronteira e já recebeu o apoio de economistas de 20 nacionalidades, dos EUA à Alemanha. São 74 economistas estrangeiros que agora se vêm juntar às 74 personalidades portuguesas que, na semana passada, publicaram um manifesto a defender a reestruturação da dívida pública nacional. São economistas, muitos com cargos de relevo em instituições internacionais como o FMI, editores de revistas científicas, de economia e autores de livros e ensaios de referência na área (Jornal Público, 20-03-14).
Os subscritores do Manifesto dos 70 vão solicitar à Assembleia da República que aprove uma resolução recomendando ao Governo que desenvolva um processo preparatório tendente à reestruturação “honrada e responsável” da dívida pública e que proceda à audição de instituições e personalidades relevantes para este objetivo (Jornal Expresso, 29-03-14).
Quando um grupo de cidadãos se reúne para refletir sobre aspetos do país e torna pública essa reflexão, penso que esse ato só pode ser louvável, independentemente de se concordar ou não com as suas posições, pois os decisores políticos, económicos, e sociais podem fazer tanto melhor o seu papel, quanto mais informados estiverem, ou seja, devem viver uma cultura que privilegie a aprendizagem proveniente de qualquer contexto, formal, não formal ou informal.