Matematicamente pensando: Centros biopsicossociais

O título de um artigo deve resumir de forma simples a ideia principal do artigo. Neste sentido, apresento uma possível interpretação das expressões “matematicamente pensando” e “Centros biopsicossociais”. À expressão “matematicamente pensando” associo o objetivo de apresentar ideias claras, consistentes e facilmente entendíveis, suportadas por princípios, regras e expressões numéricas ou literais. À expressão “Centros biopsicossociais” associo o desafio de procurar contextos que proporcionem o melhor bem-estar às pessoas institucionalizadas, considerando como fatores essenciais o biológico, o psicológico e o social.
O que está em causa nesta reflexão, não é a necessidade de definir novos conceitos para traduzirem aspetos que caracterizam o ser humano, mas antes procurar novas abordagens que respondam o melhor possível às suas necessidades e promovam o bem-estar das pessoas institucionalizadas, com particular destaque para pessoas com algum tipo de deficiência.
Seria injusto não valorizar o muito que se tem feito nos últimos anos no apoio às pessoas com deficiência, assim como não apresentar o maior reconhecimento às instituições que têm acolhido essas pessoas. No entanto, o querer sempre mais é fundamental para que as instituições melhorem a qualidade dos serviços que já oferecem e possam criar novos serviços de qualidade.
Não há dúvidas sobre o carinho e o empenho que as pessoas envolvidas colocam em tudo que fazem em prol do bem-estar das pessoas com deficiência. Também é reconhecido que as instituições envolvidas têm tido a preocupação de dar resposta às necessidades dos seus utentes. No entanto, penso que ainda há muito a fazer para que as instituições vocacionadas para apoio ao deficiente possam ter condições para reconhecer, apoiar ou melhorar as potencialidades dos seus utentes. Faz falta repensar as instituições em termos de localização, acesso, espaço físico e de valências para se poderem definir metas que possam dar mais sentido à vida dos seus utentes, nomeadamente em termos de potenciar o desenvolvimento da atividade física, psíquica e social.
Não é fácil, mantendo a atual estrutura das instituições, promover, entre outras, a motivação, a autoestima, a participação, o autocontrolo e o desenvolvimento de habilidades sociais nas pessoas com deficiência.
Acredito que devemos pensar nas instituições de apoio ao deficiente como instituições onde seja possível, promover em cada pessoa institucionalizada competências adequadas às suas potencialidades, pois por terem algumas competências diminuídas mais desafiante será promover as competências possíveis.
Desejo que se comece a pensar em criar, ou adequar, as instituições para as pessoas com deficiência, tornando-as espaços onde seja possível que essas pessoas, de uma forma quase natural, se relacionarem com a sociedade, nomeadamente com escolas e outras instituições, possam desenvolver atividades associadas ao desporto, à expressão dramática, à dança, às artes visuais, à pintura, à música, assim como atividades ao ar livre, tais como passear, jardinagem, agricultura, pecuária e silvicultura.
Seria interessante aproveitar o clima, a situação geográfica e as potencialidades de Bragança nos mais variados domínios, entre os quais educação, ciência e tecnologia para promover modelos de instituições de referência nacional e internacional, adequando as existentes ou criando instituições novas, que poderemos designar por Centros biopsicossociais, vocacionadas para apoiar as pessoas com deficiência em toda a sua complexidade, nas quais, principalmente, as dimensões biológica, psicológica e social sejam permanentemente incentivadas, valorizadas e apoiadas.