Matematicamente pensando: Educação Informal

Falar de educação é falar do presente, do passado e do futuro. Muito do que somos depende da educação que recebemos, da educação que vivemos e da educação que defendemos, nomeadamente na forma como partilhamos o sucesso, as dificuldades e o quotidiano das pessoas com quem nos relacionamos. A educação, em função dos contextos onde pode ocorrer, pode ser designada por educação formal, educação não formal e educação informal.
Destacamos a educação informal por considerarmos que ocorre em situações do dia a dia ou de lazer, é promovida, planificada, orientada e avaliada por cada pessoa em função das suas necessidades, objetivos e sentido crítico. Pensamos incentivar a reflexão e a autoaprendizagem a partir do questionamento sobre os objetivos individuais e os processos utilizados para os atingir.
Apresentamos como exemplo, uma situação e várias questões para a sua resolução: estou desempregado ou quero mudar de emprego. O que devo fazer?” Não há soluções mágicas, mas talvez deva começar por me questionar sobre: o que sei fazer? O que gosto de fazer? Quanto quero ganhar? Onde existe informação sobre ofertas de emprego ou oportunidades de trabalho? Quais são as instituições onde posso procurar apoio? Qual é o apoio que necessito? Como e onde posso manifestar a minha disponibilidade? Necessito de fazer curriculum vitae? Como o devo fazer? Como e a quem o devo apresentar? Necessito de mais formação? Como, onde e quando a posso obter? Quanto custa essa formação? Estou disponível para me empenhar na nova formação?
Associada à educação informal está também a gestão do dinheiro, ou seja, a necessidade de estabelecer relações entre o dinheiro disponível e as despesas ou projetos onde se quer gastar ou investir. Não basta ganhar muito para ter uma vida económica equilibrada, é essencial saber gastar e saber estabelecer prioridades. Tem-se assistido à transformação de Portugal num autêntico casino com balcões em todo o lado. Pois, para além dos jogos consolidados e associados a instituições com alguns fins sociais, surgiram os jogos disfarçados de passatempo, cada vez que se liga a televisão, com apelo permanente a mandar ligar para um determinado número de telefone. Se é certo que só liga quem quer, também é certo que há formas de marketing que obrigam as pessoas a ligar, principalmente as mais frágeis em termos culturais, financeiros e de ocupação do tempo.
A publicidade é clara quando afirma que só se gasta o preço de uma chamada. O problema está quando se repete várias vezes o ato de fazer chamadas. Antes de cada pessoa ligar talvez seja bom questionar-se sobre a probabilidade de ser escolhida e em seguida multiplicar o preço de uma chamada pelo número de chamadas que faz por dia, por mês e por ano. Se alguém tiver o hábito de fazer três chamadas por dia ao fim de 365 (um ano) dias, gasta mais de 800€, o que é bastante!
Cultivar a educação informal é valorizar a autoaprendizagem em qualquer situação, nomeadamente utilizando as potencialidades dos recursos tecnológicos, para atingir as metas individuais com empenho, e com o prazer de viver bem connosco e bem com os outros.