Matematicamente pensando: Educar para viver em sociedade

Como sempre, considero que a educação é a chave para a maioria dos problemas que afligem a sociedade. É a educação nas mais diversas modalidades, formal, não formal ou informal que nos ajuda a refletir sobre o mundo em que vivemos e a projetar o mundo em que queremos viver.
Valores como equidade, justiça social, cooperação, solidariedade, corresponsabilidade, participação e coerência só podem ser cultivados e promovidos se a educação for considerada como o expoente máximo da sociedade. Neste sentido, a educação é um bem que deve ser valorizado por todos e de uma forma mais consistente por aqueles que têm responsabilidades, quer pelos lugares que ocupam na sociedade, quer pelos papéis que desempenham, atendendo que estes podem influenciar cada pessoa sobre o modo de ver o mundo, de o compreender e de interagir com os seus semelhantes.
Como elementos essenciais para sensibilizar e mobilizar a sociedade para as prioridades do desenvolvimento humano assente nas inter-relações sociais, culturais, políticas e económicas e na promoção de valores e atitudes de solidariedade e justiça que devem caracterizar uma cidadania global responsável, destaco os políticos.
Em democracia só pode exercer o poder quem tiver votos suficientes para o efeito, regra com a qual concordo. O que me parece que necessita de reflexão é a forma como são conseguidos os votos. É muito importante não confundir o possível com o desejado. Ao longo dos últimos anos tem-se assistido em Portugal, e não só, a campanhas políticas, de diversos partidos e de diferentes cores políticas, assentes em casos e em promessas que depois de assumirem o poder são esquecidas, o que leva as pessoas a criar uma imagem pouco favorável dos políticos em quem votaram.
Outro aspeto muito utilizado nas campanhas políticas é a promoção e ampliação de casos pessoais. Custa-me aceitar que situações de reduzida importância social, ou económico, constituam notícias de grande impacto e ocupem grande parte do tempo das pessoas. Geralmente são casos pessoais, transformados, muitas vezes, em casos políticos, quer de membros do governo, quer de membros da oposição. Os casos que prejudicam a imagem das pessoas envolvidas, não devem ser escondidos, mas também não devem ser explorados até à exaustão, pois nas várias situações há quase sempre entidades legalmente constituídas para os resolver.
Sugiro aos políticos que durante as campanhas eleitorais exibam as suas diferenças em termos de grandes projetos, exequíveis e compreendidos por cada votante. Projetos nos quais seja possível identificar claramente o problema a resolver, o conhecimento necessário e os processos utilizados, bem como os resultados esperados relativamente ao número de postos de trabalho a criar ou ao valor acrescentado em termos económicos ou sociais.