Matematicamente pensando: Indicadores positivos

Há sempre várias formas de ver o mundo. Uns veem problemas em tudo, ou quase tudo, e outros veem tudo sem problemas. Penso que nem uns, nem outros estão certos, embora admita que ver o mundo de uma forma positiva e a acreditar no futuro, obriga-nos a ter uma posição perante a vida que conduz a resultados mais favoráveis do que o contrário.
Acredito que se uma pessoa pensa permanentemente em problemas está a semear novos problemas e a fechar as portas a idealizações de projetos ou à concretização de atos bem-sucedidos. No jornal público de 8/8/13 podem ler-se várias opiniões e análises sobre a baixa do desemprego em Portugal. Num país rico em notícias pouco positivas, destaco a seguinte, por me parecer que pode ser interpretada como muito positiva: “A taxa de desemprego recuou pela primeira vez desde o segundo trimestre de 2011. A queda, de 1,3 pontos percentuais, é a maior entre trimestres em 15 anos, (…)”, acrescenta-se ainda que ” (…) há um aumento na agricultura, floresta, pesca e serviços (…). Pelo contrário, na indústria, construção e energia, o número de empregos recuou”. É muito mais agradável constatar que o desemprego diminuiu, mesmo que seja pouco, do que continuar na mesma ou a subir. Não escondo, que a pior situação para uma pessoa em condições de exercer uma atividade é estar numa situação de falta de ocupação, e ainda pior é quando essa falta de ocupação conduz à ausência completa de rendimentos. Mas, é importante analisar quais são os tipos de empregos que esse 1,3% das pessoas ocupou.
Não podemos caminhar para um país do terceiro mundo em termos de remunerações. Era importante saber qual o valor mínimo das remunerações desses empregos, qual o valor máximo, a moda e a mediana. Não falo na média dos vencimentos obtidos, porque essa mascara as diferenças, pois em 1000 novos empregados se 999 receberem cada um 300€ e existir um que receba 1000000€ (1 milhão) a média dos vencimentos dos mil empregados é de aproximadamente 1300€ o que conduz à ideia, errada, que todos têm vencimentos aceitáveis. Por outro lado, sabe-se que tanto a moda como a mediana é de 300€ o que garante uma informação entendível para a maioria das pessoas. Assim, em grande parte das situações quando se pretende fazer justiça social evocando a média, evidencia-se uma falácia ou uma vigarice.
Salienta-se que muitos empregos foram na agricultura, florestas e pescas. Penso que o grande desafio consiste em procurar tornar estes três sectores rentáveis. De um modo geral, a grande maioria dos empregos na agricultura começa com um sonho e acaba com uma grande desilusão. Porquê? Na agricultura já se produz muito e com qualidade. O trabalho de produção, de um modo geral duro, intensivo, caro e pouco rentável está a ser feito. A transformação do que é produzido ainda está em muitas situações aquém das necessidades e a comercialização ainda se encontra em situação mais periclitante. Nas pescas a situação é idêntica, relativamente ao tipo de trabalho, duro, intensivo e pouco rentável.É fundamental assumir que nos sectores referidos existe muita quantidade e qualidade de matéria-prima para poder ser transformada e comercializada. É urgente que o poder político e as suas organizações olhem para a agricultura, para as florestas e para as pescas, não como sectores de reprodução de pobreza, mas como sectores de enormes potencialidades, aos quais falta gerar valor acrescentado para quem neles trabalha e para o país.