Matematicamente pensando: Lidar com a diferença

Todos somos poucos para dar sentido à vida em sociedade. Sempre que começo a escrever um artigo a primeira dúvida que me surge é a de saber a quem pode interessar o que vou escrever. A resposta a esta questão nunca a terei, mas acredito que é sempre uma forma de contribuir para aumentar o espaço de reflexão para quem o possa ler.
Não gosto de escrever sobre pessoas, embora em cada dia surjam factos que merecem a maior atenção, principalmente para a comunicação social. Tais factos devem ser conhecidos e aproveitados no que têm de útil, salientando que em muitos deles são uteis os aspetos positivos que enfatizam e que poderão ser modelos a seguir, e outros têm a vantagem de exibirem aspetos que merecem ser conhecidos para poderem ser rejeitados ou evitados em situações análogas.
De qualquer forma sempre que se evidenciem aspetos pessoais, surgem de imediato posições e apreciações opostas, o que não ajuda a criação de formas de pensar isentas e com capacidade de reconhecer valor aos colegas ou aos adversários nos vários domínios da sociedade.
Ainda tenho presente a última campanha eleitoral para a presidência da república em que a maioria dos candidatos passou a campanha focada no dizer mal e no condenar os adversários ou aqueles que ao longo dos anos tiveram a escolha e a preferência da maioria dos portugueses. Várias vezes pensei, como é possível votar em alguém que está sempre a dizer mal dos adversários, ou dos que ocuparam o lugar para o qual se candidata.
Penso que é da maior justiça nunca votar em quem diz o pior dos seus adversários, pois acredito que quem se considere preparado para exercer um cargo, deve enfatizar as características que o tornam melhor que os outros para poder ser o escolhido, em vez de mostrar que mesmo antes de ocupar o lugar já é capaz de devassar a vida daqueles que de forma legal como ele, também ambicionam obter a maioria dos votos dos portugueses.
Participar na vida pública e disponibilizar-se para servir os outros são atos da maior nobreza, não merecendo a condenação de ninguém e muito menos a condenação dos adversários que lutam por atingir o mesmo objetivo, ganhar as eleições.
Cada ser humano é único, assim em vez de defendermos uma cultura que enfatiza que somos todos iguais, talvez seja melhor defendermos uma cultura que parta do princípio que somos todos diferentes.
Se partirmos da ideia que somos todos diferentes, talvez não seja difícil compreendermos aqueles que pensam diferente de nós, que têm formas de vida diferentes da nossa, que têm características físicas, psicológicas ou sociais diferentes das nossas.
Acredito que não existe maior desigualdade do que aceitarmos que somos todos iguais. Não é difícil justificar características iguais entre dois seres humanos. Pois podemos dizer que duas pessoas são iguais relativamente, entre outros aspetos, ao desemprego, ao emprego, ao vencimento, à idade, à altura, à data de nascimento, à naturalidade, ao país de origem, ao grau académico, ao curso que possuem, ao curso que frequentam, ao número de irmãos que têm, ao número de horas que dormem diariamente, ao número de cafés que tomam por dia, ao número de empregos que já tiveram, ao número de países que já visitaram, ao número de carros que já tiveram, ao mesmo número de filhos, ao mesmo número de dias de férias, ao mesmo número de desportos que praticam, ao mesmo número de pessoas que admiram e ao mesmo número de livros que leram.
Poderíamos considerar muitas outras situações para comparar pessoas e mostrar que são iguais, mas por maior que seja o esforço para compreender essas relações e as associar, qualquer que seja o conjunto de características que possamos comparar, nunca as podemos comparar com o ser único que cada pessoa é e a torna diferente de todas as outras.
Assim, defendendo a educação e desejando que a intervenção pública una e não separe, construa e não destrua, aproxime e não afaste acredito que devemos cada vez mais, educar para a diferença, procurando contribuir para elevar o nível educacional e cultural dos alunos, das famílias e da sociedade.