Matematicamente pensando: Os vetores na sociedade

A designação de vetor é frequentemente utilizada no dia-a-dia em diversos contextos e situações, pois é fácil encontrar frases como: um dos vetores de desenvolvimento do país é o turismo, o vetor essencial para a credibilidade dos políticos é acabarem com a corrupção, os principais vetores em que é necessário apostar são a saúde, a educação e a economia.
O conceito de vetor é demasiado abrangente, assumindo interpretações em função do contexto onde é utilizado. Surge, geralmente, no ensino não superior no estudo das transformações geométricas, e no ensino superior é fundamental, entre outros, nos cursos de Matemática, de Física, de Economia e de Engenharia.
Das várias noções associadas ao conceito de vetor, destaco: “vetor AB, segmento de reta orientado com origem em A e extremidade em B”, “vetor AB, conjunto infinito de todos os segmentos de reta orientados que possuem o mesmo comprimento, a mesma direção e o mesmo sentido do vetor AB”, “segmento de reta orientado, usado para representar uma grandeza vetorial (por exemplo: a velocidade de um ponto material, a força aplicada a um ponto, a aceleração de um dado movimento)” (Infopédia).
Do exposto, porquê considerar os vetores na sociedade? O conceito de vetor social adquire importância ao considerar-se que na relação entre cada duas pessoas há: uma direção, em que uma delas é a origem e a outra é a extremidade, há um sentido que pode ser interpretado como a atenção que espero do outro, ou a atenção que dedico ao outro; há uma intensidade que traduz a força do que espero do outro ou do que dedico ao outro.
Numa fase em que se constatam grandes divergências entre gerações, grupos económicos, partidos políticos e nações, penso que uma das formas de rentabilizar as divergências consiste em cultivar o bom senso, insistido em identificar direções, intensidades e sentidos que assumem essas divergências.
Assim, pensando que a relação entre as pessoas pode ser interpretada sob um ponto de vista vetorial, os conceitos de direção, sentido e intensidade podem constituir elementos fundamentais para ultrapassar divergências, se cada pessoa tentar dar resposta, entre outras, às seguintes questões: Quais são as pessoas envolvidas no problema? Que ligações há entre as pessoas envolvidas? A solução parte de mim para os outros, ou dos outros para mim? Quais são os argumentos dos outros? Qual é a força dos meus argumentos? Qual é a força dos argumentos dos outros?
É bom admitir-se que cada direção tem sempre dois sentidos, assim como as relações humanas, e o sentido mais intenso, tanto pode partir de mim para os outros, como dos outros para mim.