Matematicamente pensando: Questões para refletir

Como professor e educador deparo-me muitas vezes com crianças e jovens que perante uma questão concreta, da qual se espera uma resposta, respondem com alguma frequência e com aparente segurança: não sei, não me importo, não tenho interesse, não sou capaz. Por outro lado, encontram-se adultos condenando esta atitude dos mais novos e supervalorizando aspetos associados à sua infância ou à sua juventude. São constatações que traduzem formas diferentes de viver e de projetar a relação entre gerações, mas que obrigam cada um a questionar-se e a procurar formas de compreender tais situações.
Há várias justificações para explicar as formas diferentes de cada geração ver e sentir o mundo. É mais fácil compreender os mais novos se admitirmos que atualmente a sociedade move-se em dois mundos bastante distintos, o mundo físico no qual algumas gerações têm grande parte das suas vivências e experiências, e o mundo virtual, o mundo da internet, no qual e com o qual, as crianças e os jovens partilham grande parte da sua vida. Assim, em vez de se enfatizar o que separa cada contexto devem-se salientar os aspetos que possam contribuir para os melhorar e aproximar.
Como princípio admito que o bem-estar do ser humano é desejado por todas as gerações e assenta numa cultura permanente de cada pessoa estar bem consigo e bem com os outros, numa constante avaliação relativamente às atitudes e aos atos que pratica, no sentido de no dia seguinte poder ser e fazer melhor do que no dia anterior.
É nesta vontade de melhorar a forma de ser, de estar e de viver que sugiro que cada pessoa procure respostas para as questões: O que posso fazer? O que devo aprender? O que tem interesse aprender? Quais são os interesses que devo privilegiar? Quais são os objetivos que quero atingir? Como avalio se os objetivos foram atingidos? Quais são os desafios a vencer? Quanto tempo devo prever para a concretização de cada desafio? Quais são os requisitos necessários? Como se podem satisfazer esses requisitos? Como criar novos desafios?
Acredito que a vida deve ser vivida em contexto, de uma forma dinâmica, em permanente interação entre o que se pretende, a curto ou longo prazo, e a procura de meios e processos para o atingir. Assim, em cada contexto é necessário aprender a resolver problemas, aprender a adquirir a fundamentação e os meios necessários para os resolver, aprender métodos que conduzam a resultados e a soluções, aprender a apreciar e a avaliar os resultados, e por último, aprender a obter conclusões consistentes, reais e facilmente entendíveis.
Pensar em viver cada vez melhor é pensar que a vida é um conjunto de problemas, diariamente reinventados, para os quais se procura solução. Os problemas não podem ser o sustento de queixumes e lamentações, mas antes o ponto de partida para caminhar de uma forma fundamentada e sistemática em direção à solução.