Meninos Ladinos…

Lembro-me, todos nos lembramos, da nossa Instrução Primária, do Menino Dono da Bola e do Menino de Dedo no Ar.
As caricaturas, com suporte real, avivam-nos a memória, nos recreios da escola ou na praça do lugar, nos jogos aguerridos do perde e ganha, na eminência da derrota, um jogador perdedor abandona o campo, levando o esférico, blasfemando que no perder não joga, eis o Menino Dono da Bola.
Lá, nos recuados tempos, nos velhos tempos da palmatória de buracos, nas reguadas, nos bolos, havia sempre um menino que sabia tudo, a quem o professor entregava a régua para bater a seus colegas de turma, era o Menino de Dedo no Ar.
Não sabemos, não existem estudos sobre estas personagens, vitimas com toda a certeza da educação ambiente, pais e professores, não sabemos seus caminhos, se homens e mulheres de sucesso, se escondidos nos medos que atormentam ou nas longas noites que não mais acabam.
A História relata apenas, para quem nas letras se perde, que os carrascos, os ditadores, ascenderam das ditas classes baixas, dos que humilhados disso se não esquecem, empurrando para os fundos de si as humildades e perdões que fazem os Homens Grandes.
Os Portugueses resolveram jogar, o árbitro, nosso Presidente, escolheu dia e mês do jogo, com a liberdade que nossa Constituição define e, todos nós, quem quis e não quis, todos jogamos. Para encontrar o ganhador apenas um raciocínio, temos de nos colocar na meta: em relação a 2011 o PSD perdeu, o CDS perdeu, o PS ganhou, o BE ganhou, o PCP ganhou e o PEV ganhou. Se a comparação for por número de deputados e em relação a 2011 o PSD perdeu, o CDS perdeu, o PS ganhou, o BE ganhou e o PEV ganhou. Se compararmos o número de votantes e em relação a 2011 o PSD perdeu, o CDS perdeu, o PS ganhou, o BE ganhou, o PCP ganhou e o PEV ganhou.
Sim, se esquecermos 2011, no somatório sem comparação com 2011, a coligação antecipada, ganhou. No entanto ninguém quer brincar com estes ajuntados meninos. Noutro recreio, mais alegre, os outros agruparam-se, contaram-se, e constataram, nas contas, serem mais, vencedores em grupo.
Os irrequietos meninos que se maneiravam nos domínios do poder, disparam em todas as direcções, quais arautos: - a coligação formada à posteriori é ilegítima pois deveria ter sido comunicada antes ao povo português. Pois, mas eles mesmo em 2011 concorreram em separado, a História registou casamento à posteriori.
Mas os meninos matreiros, não querendo perder, gritaram mais alto para que a berraria chegasse a Belém: queremos conhecer já o acordo e o Programa de Governo desta nefasta coligação. Pois, mas a História registou que em 2011 a coligação ganhadora apenas deu a conhecer o acordo após eleições e o Programa de Governo após a tomada de posse.
Já no chão, a espernear, estes meninos de calções com os piões a esgueirarem-se dos bolsos, chorando no perder e arrancando os próprios cabelos, gritam em desespero, canalizando os ruídos lá para os lados da Fábrica dos Pastéis: exigimos a alteração da Constituição, dissolvemos a Assembleia da República e este Recreio volta a ser só nosso.
Portugal é grisalho, sem tempo e pachorra para birras infantis. Todos sabemos quem são o Menino da Bola e o Menino de Dedo no Ar. Santa Comba estará arrependida do que nos deu. Estamos todos com Boliqueime, a democracia pede que um dos seus coloque no sítio estes Meninos Ladinos…