Mensageiro: «Convertimini!»

1. Sim. Por estes dias, o Papa Francisco fez um forte discurso profético perante a Cúria Romana. Enumerando vários defeitos pessoais, que podem ser frequentes, alguns deles muito feios. Mas se foi dirigido directamente aos membros da Cúria, não foi dirigido só a eles; antes, como o próprio Papa disse, a todos os membros da Igreja de Cristo, a todos os católicos.
 
2. Não constituiu nenhuma novidade, esta admoestação papal. Pelo contrário, ela foi apenas um novo eco da divina profecia que vem desde os princípios dos tempos; desde a queda da humanidade; desde os profetas do Velho Testamento; desde a pregação de Jesus Cristo; e se mantém vibrando, sem cessar, por obra do Espírito Santo, na Santa Igreja de Cristo. Podemos resumi-la numa palavra: «Convertimini!» Isto é: convertei-vos!
 
3. Quem há aí que não necessite de ouvir este apelo? Se estranhamos (e, pior do que isso, se recebemos mal) esta chamada à conversão contínua em termos mais vivos e concretos, isso é um péssimo sinal. É sinal de que não estamos habituados a ouvi-la. Ou de que a não queremos ouvir. Ou de que pensamos que não a merecemos.
 
4. Li, num artigo de jornal, que os católicos confessam publicamente (por exemplo nas celebrações eucarísticas) que são pecadores. Mas fazem-no ritualmente, sem verdadeira profundidade, porque se são acusados de pecadores, como pelo discurso do Papa, então sentem-se chocados ou melindrados. Tem carradas de razão, o referido articulista laico.
 
5. Por isso, nada de minorar ou de esquecer este discurso. Toca a meditá-lo. Os que se escandalizarem, lembrem-se das palavras duras de Cristo, ao longo de toda a sua pregação, contra os hipócritas, os orgulhosos e os tíbios. E leiam, no Apocalipse, o que o Anjo diz às Igrejas, uma por uma. Pode bem acontecer que a Igreja que vivemos no nosso coração seja como uma delas, ou até como várias delas. Não é pelas glórias terrenas da sua Igreja, nos seus mais altos representantes, que Cristo vencerá no coração dos homens. É pela santidade.
 
6. A santidade é um apelo mesmo para os não cristãos, mesmo para os não crentes. Santo quer dizer são. Santidade quer dizer saúde. Saúde da alma, do espírito, do coração de cada homem e de cada mulher. Todos desejamos sempre, uns aos outros, saúde! E não só do corpo, mas também do espírito. Se alguém quiser saber em que consiste o resumo da santidade que Cristo nos deseja, é fácil: veja como ele saudou sempre os seus discípulos, quando lhes apareceu depois de ressuscitado: «a paz esteja convosco».
Qual paz? A da simples ausência de guerra? Não chega. É precisa a paz daquela tranquilidade interior, gozosa, saborosa, de quem nada teme e se sente feliz. Numa palavra, a paz da felicidade. Quem a não deseja? Sim, ela pode vir a nós; mas tem um preço…
 
7. O Mensageiro de Bragança, se se define como mensageiro é porque tem uma mensagem. Creio bem que, pelo seu criador, o Bispo D. Abílio Vaz das Neves, que tive o gosto de conhecer embora ainda menino, nasceu com um desígnio de levar paz e felicidade a muitos, pela informação e pelo ensinamento. Mas também, e não menos, com o desígnio de unir todos os transmontanos numa partilha de informação e de convívio regional. Numa mensagem de espiritualidade mas também de vida cívica e fraterna.
Neste seu aniversário, devemos-lhe um agradecimento. E um voto de longa vida no serviço à querida pequena pátria transmontana.