A Mensagem e o Mensageiro

1.  Mensageiro de Bragança comemorou 75 anos
O Jornal Mensageiro de Bragança completou no passado dia 4 de Dezembro 75 anos. Cumpriu-se um projecto corajoso, proibido na altura, 1940, (eram proibidos pelo Estado Novo os jornais diocesanos), concebido por um iluminado, o Cónego Manuel Formigão, e protegido por um bispo corajoso, D. Abílio Vaz das Neves.
Cónego e bispo colaboraram durante nove anos, lutaram contra as injustiças e contra os excessos do regime político, mudaram a face social do Distrito de Bragança, dotaram a Igreja de estruturas de intervenção social, modernizaram o Seminário. O Cónego estava destinado a altos voos, o Bispo ao exílio disfarçado à primeira oportunidade. Com dificuldades, Mensageiro de Bragança resistiu a todos os ataques, aos do Estado Novo e aos do anticlericalismo dos inícios da III República, particularmente durante o PREC e a segunda metade da década de 1970.
Mensageiro de Bragança foi a voz da Igreja e a voz do Distrito de Bragança, em Trás-os-Montes e no mundo. Foi o elo de união dos transmontanos espalhados pelo mundo e a «carta» amiga que matava saudades da terra natal. Tem hoje enormes responsabilidades porque condensa muita da tradição cultural da região e da Igreja e porque condensa esta enorme carga afectiva.
Mensageiro de Bragança é um jornal universalista porque cobre todas as áreas da vida social, sendo obrigatória semanalmente a religiosa. O núcleo central da sua mensagem é a vivência e a celebração cristã mas nunca fugiu ao tratamento de qualquer assunto. Vimo-lo a tratar temas fracturantes e a romper muitas vezes com a ortodoxia da Igreja Católica. E nunca se eximiu ao confronto e à polémica.
A mensagem principal de Mensageiro é a de formar cristãos e a de informar e orientar com verdade. Para isso, é um jornal pluralista nos domínios político e cultural, e baseado no conhecimento nos domínios técnicos.
Honra ao Mensageiro e a todos quantos o fizeram e o fazem e longa vida ao seu projecto. É dever de nós todos dar-lhe conteúdo e força.
2.  O Governo entrou em funções
Embora tenha tomado posse no dia 26 de Novembro, o Governo só ficou «legalizado» no passado dia 4, dia da aprovação do seu Programa de Governo no Parlamento. Só agora vamos ver se o que moveu António Costa foi uma mera vontade de poder (ser Primeiro-Ministro) aproveitando as circunstâncias favoráveis, ou uma verdadeira concepção de governação à Esquerda. O projecto é muito arrojado e as condições muito difíceis, tanto no plano das relações com o Partido Comunista como no das relações com a União Monetária e o Tratado Orçamental como ainda face ao ambiente da economia portuguesa.
Na nossa análise, o PS será muito prejudicado em termos eleitorais, no futuro (a começar pelas presidenciais), e o PCP será beneficiado. Porém, agora, já não há nada a fazer. Por parte de António Costa e do PS há que cumprir o futuro. Pela nossa parte, há que analisá-lo com a maior isenção possível