Nó Górdio….

Conta a lenda que era uma vez um Rei, Rei de Frigia na Ásia Menor, morreu sem descendente.
Consultadas as Divindades, o Oráculo foi categórico: - o sucessor chegará à cidade numa carroça puxada a bois. E assim foi, o condutor da primeira carroça foi entronado como Rei de Frigia. Este monarca de nome Górdio, atou a carroça com um soberbo nó a uma coluna do Templo de Zeus.
Seu filho Midas que governou muitos e longos anos morreu, azar de Frigia, sem descendente. De novo foram consultados os Deuses e a resposta, em Oráculo, foi sábia e definitiva: - quem desatar o nó da carroça será o Imperador de toda a Ásia Menor. Quinhentos anos depois o Império continuava sem Imperador, impossível desatar o nó.
Mas eis que, do meio de medonhas poeiras, guardado por um dos mais poderosos e temíveis exércitos chegou a Frigia o invencível e temerário Alexandre o Grande. Confrontado com o enigma de Frigia, decidiu da forma que só os maiores inferem, exímio com a espada, desfechou um violento e certeiro golpe no nó, abrindo-o, e foi aclamado, em ombros, Rei de Frigia e Imperador de toda a Ásia Menor.
No entanto será que, em toda a Terra, só existiu em Frigia problema sem deslinde? Não, num pequeníssimo país, debruçado sobre águas infindas de mar e oceano, problema bicudo anda no ar. Nesse micro território que deu novos mundos ao mundo, um governo Santana teceu uma lei: quem tivesse dinheiro, muito dinheiro, num cofre para lá das fronteiras, poderia traze-lo sem receio de investigações a ilicitudes, bastava pagar um impostosito. Um governo Sócrates aprovou e aplicou a lei. Um Governo Passos, com os atentos olhos do Presidente, reaplicou a dita. Com esta artimanha entraram em Portugal milhões de euros, isentos de averiguações a fugas ao fisco e demais malfeitorias, pagando apenas um simbólico imposto entre cinco e quinze por cento.
No meio dessa centena de pardas personagens, envoltas em nebulosos negócios, acreditando nas leis de seu país, um desconhecido Santos Silva, muda de cofre, vende o da Suíça e compra um no BES português.
Mas, escutando, um Magistrado da Nação, quer saber a origem daquele montante de vinte e cinco milhões de euros e mais, desconfia da propriedade do cofre, pelo designe parece pertencer ao ex. Primeiro-ministro José Sócrates.
Ponto assente, a lei Santana, de perdão Fiscal e Penal, nunca deveria ter visto a luz do dia, o imposto é ridículo e a isenção de averiguações a ilicitudes é uma afronta ao povo português. Porque a lei foi violada, em nome da equidade, exige-se a lista de todas as opacas personagens beneficiadas bem como a prova da origem daquelas fortunas. Se prevaricadores, condenação para todos, todos mesmo, incluindo Santos Silva/Sócrates.
O cenário está montado, a máquina fotográfica está no tripé, o flash engatilhado, a lente mais que focada, o botão pisca e o clarão está em eminente eclosão. O Super Juiz não pode falhar, o desensarilhar do novelo terá de ser transparente pois Portugal inteiro está a assistir, a observar e a opinar.
Não, não se aceita a espada, todas as cabeças esperam que a cabeça da Justiça, a ser julgada também na praça pública, seja a única chave para o deslinde deste enigma, deste Nó Górdio