Notas da semana 16/2016

A semana 16 de 2016 (23 a 30 de Abril) fica marcada por factos em vários domínios. Aqui elenco alguns.
Actividade municipal: discussão e deliberação, com aprovação, em sede de Assembleia Municipal, do Relatório de Actividades e Conta de Gerência do Executivo Municipal. A ausência de fundos comunitários utilizáveis em tempo útil fez com que as despesas de investimento e de aumento dos activos municipais não atingissem números brilhantes (33,929%, isto é, 12,6652 milhões de euros em 37,3288 milhões de despesa total. De qualquer forma, as receitas no domínio só atingiram 9,387 milhões tendo sido transferidos para o mesmo 3,288 milhões das receitas correntes cujo total foi de 27,9418 milhões. Assim, o Executivo pôde fazer transitar, para 2016 e 2017, 4,8 milhões de euros que permitirão arrecadar e utilizar fundos comunitários no valor de 19 milhões já que este montante terá que ser coberto por 25% de receitas da autarquia. Se a isto acrescentarmos que a autarquia tem ainda uma capacidade de endividamento de quase sete milhões de euros, existe capacidade para investimento no valor de 31 milhões. Assim haja projectos e fundos comunitários disponíveis.
«Sim, é “geringonça” e funciona», por enquanto. O nome geringonça,  dado por Paulo Portas ao actual governo de entendimento à Esquerda, foi adoptado por António Costa, actual Primeiro-Ministro, segundo quem tal geringonça funciona bem, ideia transmitida no debate da semana passada sobre o PEC (Plano de Estabilidade e Crescimento), rebaptizado de PE, incluindo na estabilidade o crescimento. Até agora, o governo da geringonça conseguiu contentar 700.000 funcionários públicos e apaziguar mais 3.000.000 de pensionistas, mais 400.000 desempregados, mais 700.000 beneficiários de prestações sociais (rendimento social de inserção, formação profissional e outras) e mais 5.000.000 de beneficiários de isenções várias. Porém, a despesa é fácil mas tem de ter o dinheiro disponível no saco. Veremos se a economia real aguenta e paga a despesa. É que já não há ricos para pagar a crise, como queria o PCP em 1975 e nem os prosélitos do PCP nem os do BE gostam de pagar tantos impostos.
Paz social e números gostosos. O Ministro da Educação tenta uma lua-de-mel com os sindicatos dos professores. Agora ofereceu-lhes um diálogo avaliador das políticas do Ministério cada três meses. Faz parte da arte da sobrevivência da geringonça. O tango dança-se com quem o quer dançar.
Afora umas realidades que a Direita gosta de esconder, os números têm sido bons em educação. A maior parte dos intelectuais de Direita afirma que vivemos no melhor dos mundos, que não existe nem cultura de classe social nem diferença de poderes aquisitivo e cultural nem ainda pobres e ricos nas escolas. Porém, os números vêm confirmar que os sociólogos das décadas de 60 e 70 tinham razão: os alunos filhos de pais instruídos e com melhores rendimentos económicos têm muito melhor desempenho do que os outros e mais ainda do que os das minorias étnicas. Porém, não se trata de uma questão de inteligência mas sim de cultura e de adaptação à escola. Será que estamos interessados em reconhecer estes factos e mudá-los, sem facilitismos?