Novos e velhos problemas, novos e velhos desafios

Em primeiro lugar, devo esta explicação: escrevo como aprendi, há 57 anos, porque acho que o AO90 (Acordo Ortográfico de 1990) é um insulto à portugalidade.
Sobre o tema de hoje, os problemas que a humanidade enfrenta, na actualidade, são o resultado dos problemas e soluções do passado, implementados à luz do modo como foram lidos os desafios de cada momento histórico. Os erros praticados transformam-se em novos problemas que impõem desafios maiores. É assim com a dívida pública e o deficit portugueses, é assim com tudo, no nosso mundo.
Nas últimas semanas, tem-nos entrado pela casa dentro o drama dos refugiados sírios, iraquianos, líbios, libanenses, egípcios e sudaneses, etc.. Procuram fugir de uma pátria em guerra e em sangue mas essas guerras e sangue têm causas muito antigas, mal resolvidas, também pelas principais potências ocidentais, particularmente EUA, Rússia, Alemanha e França.
Curiosamente, nenhum desses refugiados demanda o asilo seja da Rússia seja da China, o que significa que o seu paradigma de bem-estar é a sociedade capitalista, moderada pelas sociais-democracias. O comunismo só serviu para fabricar uma sociedade de pobres e de indigentes, administrados por uma classe burocrata, essa sim de primeira categoria, acima de todos os outros «iguais».
Apesar disso, Putin lá anda na Síria, a apoiar Assad e, provavelmente, também o Estado Islâmico, Estado que, movido por concepções religiosas, sociais e culturais do passado, arrasa tudo o que for diferente.
E cá está o Ocidente, mais uma vez, a ter de dar guarida aos refugiados, com todas as consequências que isso possa vir a ter, a todos os níveis, no futuro, inclusive as do incremento do terrorismo e do Islamismo. É assim que a cultura e a sociedade europeias caminham para o fim? Elas e não só: o mundo está todo em convulsão, sendo necessária uma nova ordem mundial para colocar a nossa casa em ordem.
Como construiremos essa nova ordem mundial? Ainda não sei. Temo que não passemos sem uma nova guerra global porque o planeta já não é bipolar mas multipolar. Já não mandam só os EUA e a Rússia. Mandam também a China, a Índia e o Paquistão, e mandam sobretudo demograficamente.
O principal problema do planeta é demográfico. O planeta não suporta mais que cinco mil milhões de pessoas e caminha rapidamente para os oito mil milhões, em 2025, e para os nove milhões em 2035. Não há recursos que resistam. À luz deste problema, todos os outros parecem insignificantes, particularmente as lutas entre ricos e pobres ou entre religiões, por maiores que se apresentem face ao esquecimento do problema demográfico.
O ataque aos problemas tem portanto de ser sistémico e não apenas local ou parcial. Estamos sem dúvida confrontados com problemas muito maiores que os do pós II Guerra Mundial. Da forma como os resolvermos dependerá a sobrevivência ou não da espécie humana e, temo que, também do Planeta que nos dá guarida.