O colapso do liberalismo: I - A crise de 1929 e o «New Deal»

Há dias, o Canal Odisseia transmitiu o documentário «Os ladrões do sonho americano», que, apoiando-se em factos devidamente documentados, aborda as crises de 1929 e 2008. Nesta edição abordo a crise de 1929 e a sua superação através do chamado «New Deal», deixando para a próxima edição a crise de 2008.
No crash bolsista de 1929, os factores mais importantes a considerar são os seguintes:
1 - A Grande Depressão americana de 1929 resultou da aplicação duma teoria – o liberalismo - assente no princípio de que o mercado não só não precisa da intervenção do Estado, como funciona melhor e produz mais riqueza se este se mantiver o mais afastado possível.
A partir daí, os grupos industriais e financeiros americanos, detentores de uma ganância sem limites, sem regras e sem escrúpulos, dedicaram-se à especulação financeira na Bolsa, não olhando a meios para atingirem ganhos. De especulação em especulação, chegou-se a um momento em que os negócios financeiros de Wall Street se tornaram excessivamente «engordados» em relação à economia real do país, o que fez com que se negociassem produtos financeiros sem qualquer valor real.  
Surgiu assim o crash de 1929, que levou muitas empresas à falência e muitos milhões de trabalhadores à fome e à miséria, na sequência de um assustador nível de desemprego, que chegou aos 25%.
Na sequência dessa crise, a classe média praticamente desapareceu. No entanto, os donos dos grandes grupos industriais e financeiros, embora tendo perdido dinheiro, continuaram detentores da riqueza suficiente para não «passarem fome».
2 - «New Deal» - Em 1932 foi eleito Presidente dos EUA o democrata F. Roosevelt que procurou implementar um conjunto de medidas económicas, sociais e políticas que pretendiam não só a recuperação da economia americana, como também a prevenção de futuros colapsos financeiros como o de 1929. A essa política chamou-se «New Deal», ou Novo Acordo, que continha, entre outras, as seguintes medidas:
2.1 – No plano político foi instituída a subordinação do poder económico ao poder político, através da criação de leis que passaram a regulamentar a actividade económica, em geral, e a actividade bolsista, em particular.
2.2 – No plano económico, os bancos comerciais foram proibidos de negociar «produtos de risco», de forma a salvaguardar, simultaneamente, os interesses dos accionistas dos Bancos e das sociedades financeiras, por um lado, e dos clientes, por outro.
Além disso, foram lançadas grandes obras públicas, de acordo com a teoria de J. Keynes, no sentido de dinamizar a economia e reduzir o desemprego, que baixou dos 25% para os 4%.
2.3 – No plano social, instituiu-se a Segurança Social e o sistema de saúde Medicare, para apoiar os cidadãos no desemprego e na doença.
3 – Conclusão – A partir destes factos pode concluir-se que a crise foi provocada pelos grandes grupos financeiros e industriais, mas quem sofreu os seus malefícios foi principalmente a classe média.