O conforto de não fazer NADA!...

Viver é um constante desafio, nomeadamente para quem pretende dar um verdadeiro sentido à vida, de forma coerente, ativa e humanamente participativa. Ou seja, contextualizada num autêntico sentido de AÇÃO e MISSÃO. Criar e enfrentar desafios, deve, com efeito, fazer parte da vida de todos e de cada um, de modo a influenciar positivamente os seus ambientes. Empreender é uma tarefa que nos deve mobilizar constantemente, exercendo-a com paixão, sustentabilidade, honestidade, humildade e determinação. Importa, consequentemente, que nunca fiquemos parados, espiritual, social e profissionalmente, nem auto-condicionados vivencialmente. Muito menos, ilusoriamente, satisfeitos e contentes, quando o que acontece à nossa volta, nos torna indiferentes. Ou seja, adotando uma espécie de indiferença doentia que, tantas vezes, até arrepia, assente num aparente conforto cinzento, que não implica qualquer esforço ou chatice, nem por fora, nem por dentro.
Para muita gente, o conforto ideal é cumprir o ritual, alinhando no trivial, procurando nunca fazer NADA, de forma válida e socialmente desinteressada. Posicionando-se estrategicamente na “retranca”, exercitando sistematicamente o apuro da língua tão negativamente afiada, quanto o da crítica fácil e insustentada. Tipo “pavão”, que se exibe a sua praça, com a faculdade acrescida de criticar deliberada e destrutivamente quem, descomprometidamente, por eles passa.
Na verdade, é sempre MUITO mais confortável estar numa condição de espectador, como se instalado numa bancada, se tornasse condição suficiente para se considerar um honesto comentador, ou excelente treinador para a rapaziada. Diria, pensador erudito, empreendedor, realizador convicto!... Nada mais negativo do que este tipo de posturas. Porém, infelizmente, crescem e proliferam muito por aí…como infestantes difíceis de combater, até porque deliberadamente se omitem, confundem e despersonalizam, branqueando perigosas ambivalências de caráter e de pensamento, tornando-se simultaneamente negativas no interagir, criar, promover e desenvolver.
Por outro lado, apresentam, inúmeras vezes, dificuldades em valorizar o talento dos outros. Sobretudo quando estes são provenientes de origens humildes, menos abastadas, ou socialmente desfavorecidas. É que reconhecer os talentos do “outro”, para os convencidos do seu estatuto superior, impregnados de arrogância, torna-se emocionalmente doloroso, por diversas razões. Estas podem, por exemplo, suportar-se no défice humildade, de desajustamento no enquadramento social, na inveja, a que o povo também designa por dor de cotovelo, quase sempre omitida, na disfarçada incompetência. Todavia, ainda que possa causar alguns constrangimentos interiores, o reconhecimento do mérito e das capacidades dos nossos semelhantes é uma atitude inteligente, de elevação, de dignidade humana e de urbanidade. Reconhecer o talento de quem connosco convive e partilha espaços laborais, sociais ou de lazer, evidenciando a sua capacidade interventiva, o dinamismo e espírito inovador, tendo até em conta os desafios que enfrenta e as dificuldades que ultrapassa, é uma atitude nobre que enriquece quem assim pensa e comporta, promovendo, consequentemente, a interatividade e a dinâmica social, cultural e empresarial, sem medo de enfrentar as crises de liderança.
Nestes tempos social e economicamente conturbados, em que falta muita coisa, como capacidade de entendimento, de discernimento, de caráter e honestidade de ação e pensamento, os desafios criativamente e interventivos, sendo, por vezes, difíceis de aceitar, podem também custar “caro”, na vida social ou profissional de quem ousa, empreende, realiza, não se acomoda, mas, inerentemente, INCOMODA.