O Diálogo

Os sinais de mudança na ordem internacional, e todos não deixarão de afetar Portugal, multiplicam-se, mas infelizmente subordinados à regra de que – o imprevisto espera uma oportunidade. Tem sido regra que os prognósticos das instâncias que são responsáveis pelos anúncios estatísticos, mas não pelas realidades que desafiam as governações, sejam contrariados pelos factos que, se alguma autoridade os conduz, são pela maior parte desconhecidas.
Esta circunstância de imprevisibilidade da evolução, e a gravidade crescente das carências da população que não emigra, torna urgente valorizar o conceito que vê nas nações, em primeiro lugar, comunidades de afetos e não um grupo dividido em confrontos, a começar pela falta de consenso dos que são responsáveis com os que pretendem substitui-los na posição.

Por isso ganham relevo, e exigem meditação, as manifestações populares, sem enquadramento dos partidos ou sindicais, e que frequentemente na história determinaram a mudança, sem projeto e elevados custos. Em consequência, os apelos do Papa Francisco, pela palavra e pelo exemplo, precisam de atenção e meditação, porque a linha de defesa da sociedade de afetos está nas suas palavras.
Não devemos por em dúvida a convicção e autenticidade com que os responsáveis apontam melhorias para a situação da sociedade portuguesa no próximo exercício definido pelo Orçamento anunciado.
A resposta dos factos, porém, será a única prova do acerto, e não são de bom augúrio as crises americana, brasileira, e até, pelo que se vai sabendo, chinesa. É por isso que continuamos a reclamar a convocação do Conselho Económico e Social das Nações Unidas, o único lugar onde todos falam com todos.
O lugar onde governantes, e não funcionários de organizações, podem e devem falar sobre o globalismo, que afeta todos, e não apenas os europeus.