O Festival e o desenvolvimento transversal!...

Fazendo parte da tradição gastronómica nordestina, o Butelo e as Casulas, tendo em conta a divulgação/promoção que tem sido feita, potenciaram já a realização de um festival. Trata-se do Festival do Butelo e das Casulas que parece já ser interpretado como um evento tradicional, que passou a ter lugar em Bragança, por altura do Carnaval.
Na vida de cada um, como na sociedade, ou nas organizações, tudo tem um início. E se a ideia, criativa ou não, bem como o arranque são considerados, muitas vezes, como a parte mais difícil de uma organização/associação, não é menos verdade que, imprimir-lhe dinamismo orientado com sustentabilidade, não se torna mais fácil no caminho traçado para a inerente e pública intervenção.
Ora, neste contexto dinâmico e interventivo, não existirá qualquer dúvida. E se alguma houver será, certamente, por desconhecimento, falta de esclarecimento, ou uma negação do tentar perceber e avaliar. Pois, no respeita à promoção/divulgação do Butelo e das Casulas, tem sido levado por diante um singular trabalho meritório, com a devida proporcionalidade, sobretudo quanto ao tempo e ao investimento.
Os factos e os números falam por si. Como podem falar os produtores dos Butelos, das Casulas, os empresários da hotelaria e da restauração, o sector turístico, enfim, toda esta nossa zona transfronteiriça nordestina, ímpar no país e no mundo, em todo o seu genuíno esplendor e com o seu específico fervor.
Com efeito, pode dizer que, em pouco tempo, se fez muito. Muito mesmo. A procura dos produtos gastronómicos em causa, bem como outros associados, aumentou significativamente, ao mesmo tempo que se valorizaram proporcionalmente. A região ficou mais rica. Aqueles que aqui vivem e trabalham e muitos que procuraram outras paragens, no país e foram dele, puderam constatar que a sua terra, por via da promoção do Butelo e das Casulas, ficou mais conhecida, por ter sido mais divulgada e positivamente mediatizada.
E, aqui, será importante perceber que a criação da Confraria do Butelo e da Casula foi o potenciómetro que despertou este fenómeno promocional nordestino, procurando valorizar produtos da nossa gastronomia que atravessavam a letargia do esquecimento. De uma esquecida realidade persistente, foi dada a conhecer ao mundo uma iguaria, agora apreciada por muita gente. E como se isso não bastasse, importa salientar a atenção que tem merecido por parte dos mais conceituados chefes de cozinha, que já apresentam estes dois produtos nordestinos, incluídos em ementas de elite, de forma criativa e inteligente.
Confesso, que sou apreciador e defensor da nossa tradicionalidade. Mas não é menos verdade que também não posso deixar de valorizar a criatividade sem que seja subalternizada a respetiva identidade.
Assim sendo, em boa hora, a Câmara de Bragança, aproveitando a ideia e o dinamismo potenciado pela Confraria do Butelo e da Casula, com a colaboração desta, teve o arrojo de levar por diante a realização, primeiro, de um fim-de-semana gastronómico e, depois, o Festival do Butelo e das Casulas.
Numa região como a nossa, em que é importante inovar, realizando atividades que sejam fruto dos nossos recursos, promovam o que é nosso e nos projetem, de forma transversalmente positiva, noutras paragens, a realização do Festival do Butelo e das Casulas de Bragança tornou-se, inegavelmente, mais uma referência identificativa que prestigia a capital de distrito.