O Papa Francisco

A coragem, apoiada na experiência e iluminada pela fé, é exemplar no Papa que escolheu chamar-se Francisco, juntando à firmeza religiosa dos jesuítas a bondade dos franciscanos. Esperança de que o já anunciado Novo Concilio possa encontrar meios de remediar os males do mundo que afetam a Curia e em consequência a Igreja em geral. Não posso deixar de lembrar Frei Bartolomeu dos Mártires, o nosso Arcebispo Nortenho que contemporâneos consideraram a voz mais autorizada do Concílio de Trento. A versão que ficou na lembrança popular, que mal guarda a doutrina exposta em forma magistral, mas guarda as sínteses, no que respeita à reforma da Curia volta à lembrança e temos a certeza de que à vontade. O Ocidente, sobretudo, está a ver substituída a sua linha essencial do credo dos valores pelo credo do mercado, frequentemente sem regras éticas orientadoras, e necessita de reforma para que se restabeleça, ao menos na Europa, a confiança entre as populações e responsáveis pelos governos. São mais do que suficientes os sinais de que a sociedade civil se afasta, em todo o ocidente que foi cristianizado, da esperança na fidelidade dos sistemas políticos ao interesse dos eleitorados, e também se multiplicam os sinais de que a Europa tem a sonhada unidade fragilizada. Mesmo entre nós é de esperar que a sabedoria, nas próximas eleições, não deixe de se ocupar da circunstância europeia que nos condiciona, o que significa fazer do bem comum o objeto da discussão saudável. Francisco chega numa hora de grande apreensão para todo o globo, quando a Europa deixou de ser a matriz da civilização mundial, como se imaginou a si própria, e não tem conceito estratégico sem o qual a luta contra a crise é enfraquecida. Francisco chega num momento em que o fortalecimento da esperança é a primeira das batalhas. Sabe que no princípio era o verbo, e também não podemos deixar de confiar que lhe cabe o conceito de S. Paulo, segundo o qual quem tem o carisma de ensinar, que ensine. Na vida civil espera-se que as perdidas vozes encantatórias encontram oportunidade de se fazerem ouvir. O Mensageiro de Bragança, que aceitará a lembrança de Frei Bartolomeu dos Mártires no seu aniversário, não faltará à contribuição necessária para a restauração do credo dos valores em todos os aspetos da vida pública, como elo articulador das diferenças.