O poder do terror

Nas duas últimas semanas, desde o dia 11, dia da rejeição parlamentar do XX Governo Constitucional, assistimos a dois tipos de terror: o físico, violento, movido pelo ódio do Estado Islâmico e da AL Qaeda aos valores do Ocidente; e o político, movido pela luta pelo poder de dominação do Estado e da Sociedade Civil, por parte das duas forças políticas em confronto no nosso país, a Coligação Portugal à Frente e a Plataforma de Esquerda, movida por um acordo ou por um projecto de acordo ou ainda por partilha de elementos comuns entre o PS, o BE, o PCP/PEV e ainda, pelos vistos, o PAN.
O primeiro terror, o terror da violência e do fanatismo, religioso e económico contra a democracia e a liberdade, desde os atentados de Paris, no dia 13, perpretados por agentes do Estado Islâmico e continuados no dia 20, na capital do Mali, por agentes da Al Qaeda, espelha o absolutismo do Estado Religioso e Teocrático contra os valores da liberdade, da democracia e do laicismo. Espelha ainda o estado de evolução social e política em que se encontra o fundamentalismo islâmico, só comparável ao absolutismo religioso cristão das Cruzadas e das guerras religiosas entre Católicos e Protestantes, nos Séculos XVI e XVII. Mas, graças a elas, chegámos, através da Paz de Westfália (1648), à concepção do Estado Laico, onde todas as religiões podem conviver porque limitadas ao domínio privado e ao associativismo privado, não interferindo nos poderes do Estado.
Cheguei a pensar que as guerras entre islamistas, no Iraque, na Síria, no Líbano, poderiam constituir uma espécie de Guerra dos Trinta Anos, a tal que terminou com a Paz de Westfália, que permitisse ao Islão evoluir para uma religião mais tolerante. Mas enganei-me, talvez porque o Ocidente se meteu onde não devia, associando-se e implicando-se no ódio e na morte.
Sei é que não se pode responder ao ódio com amor, como propala a Esquerda. O confronto entre o ódio e o amor gera a submissão letal dos que amam mas o Ocidente tem a figura do Estado de Direito para responder com a justiça à infração das regras da segurança e da liberdade, através do uso da violência legítima, porque salvaguardadora dos limites da vida humana.
O segundo terror, o regresso do confronto ideológico e da luta de classes entre Esquerda e Direita, desde o empossamento como Primeiro-Ministro do primeiro candidato da lista mais votada às eleições legislativas de 4 de Outubro, Pedro Passos Coelho, no dia 30 de Outubro, dando assim origem ao XX Governo Constitucional, «assassinado» precocemente no dia 11 de Novembro, traz os portugueses aterrorizados e ansiosos com o futuro.
O nosso PR tirou um coelho da cartola e, hoje, 23, impôs condições a António Costa para o indigitar como Primeiro-Ministro. Concordo com o Presidente: os radicais fracturantes não podem ir para o Poder sem condições. É gente que tem de ter rédea curta. Não nos interessa mudar a natureza do regime mas sim aperfeiçoá-lo.