O Politécnico de Bragança

Durante vários anos de inútil intervenção foi solicitada, sugerida, e agora necessariamente exigível de qualquer governo, a racionalização da rede do ensino superior. A reforma desse ensino foi decretada, ainda antes de 1974, pelo governo, quando Portugal tinha uma visão de império, mas seguramente dificuldades sobre a visão de futuro. O facto é que a reforma entrou de facto em vigor quando o país já tinha mudado de definição. A rede foi desenvolvida sem acatar a exigência de racionalizar a pluralidade das componentes, que era a rede pública de Universidades e Politécnicos, a rede privada de Instituições Universitárias e Politécnicas, a rede Católica, e a rede, sempre secundarizada, do ensino militar. Sem estabelecer comparações, o Politécnico de Bragança ganhou um merecido lugar de relevo, pela qualidade e influência na região, de tal modo que se transformou numa das bases da sustentabilidade do Nordeste frequentemente esquecido pela administração central. Conviria que nenhum responsável deixasse de considerar que se trata da cidade portuguesa mais próxima da Europa a que nos unimos, das mais descuradas historicamente, que conseguiu afirmar-se enquanto a Europa mediterrânica empobrecia, e que não pode, nem é útil para Portugal, que seja vitima dos efeitos colaterais da evolução da crise europeia, que severamente incluí a terra avara que nos pertence. São interesses fundamentais de afirmação da capacidade de reafirmação da viabilidade portuguesa, sem a dependência intolerável que sofremos, e, neste caso, até da vitalidade da cidade que a ganhou a duras penas e a verá severamente atingida se o Politécnico for gravemente atingido pelos descuidos de que todos sofremos os resultados.