Origens e testemunhos!...

É comum ouvirmos “desabafar” que a vida é uma passagem breve e que, por conseguinte, devemos aproveitá-la na medida do possível, sobretudo como testemunhos vivos e sentidos da promoção da interação afetiva, da cidadania e da identidade. Importa, por isso, que valorizemos tudo o que promove as saudáveis vivências espirituais, afetivas, laborais e sociais.
Vem isto a propósito de um convívio em que participei há dias dias. Participar em eventos que potenciem o conhecimento, a interatividade social e fomentem a amizade, constitui para mim uma especial relevância na forma de ser, sentir e estar na vida.
Neste contexto, não posso, com efeito, deixar de referir o facto de ter participado, no passado dia 06/12/2015, na festa de aniversário da minha antiga colega dos tempos académicos e distinta amiga, Rosália Vargas, presidente da Ciência Viva – Agência Nacional para Cultura Científica e Tecnológica. Não pelo facto de fazer anos, pois, anos, todos fazemos, todos os anos, mas sim pela iniciativa, diria “arrojada”, que a Rosália se propôs levar por diante. É que residir e trabalhar em Lisboa e vir à capital nordestina celebrar o aniversário, fazendo movimentar cerca de meia centena de familiares e amigos, de vários pontos do país, não é ideia concretizadora que seja conseguida por qualquer pessoa, nomeadamente tendo em conta as implicações financeiras e logísticas. Porém, para a Rosália, não constituiu qualquer problema. Pensou, idealizou e realizou. Valorizou a origens, sem esquecer a identidade, e deu a conhecer, principalmente ao nível gastronómico, durante três dias, o que de melhor têm a nossa região, nomeadamente Bragança, cidade.
Tive, pois, o privilégio de ser um dos convivas e de prestar algum apoio logístico. Todavia, o que mais me sensibilizou foi o espírito aberto, franco e fraterno dos visitantes “forasteiros” e o ar de felicidade que a Rosália evidenciava por tudo o que estava a acontecer e lhe dizia respeito, na “sua” cidade. Até mãe não disfarçava a satisfação. Isto de valorizar as origens, desta forma, não acontece todos os dias e tem que se lhe diga.
Confesso que, para mim, foi muito gratificante estar incluído, por várias razões. Por ser possível conhecer novas pessoas, divertidas e positivamente interativas, que são de Bragança, mas que vivem e trabalham noutras paragens, e ainda outras que, não sendo da nossa terra, gostam de aqui vir, como foi o caso do conhecido cantor, Sérgio Godinho. Porém, será inegável que gostei de rever colegas de curso como a Rosa Maria Veiga, da aldeia do nabo, Vila Flor, que não via há muito tempo, ou amigos como José Lopes da Mota, ex-Secretário de Estado da Justiça, referência na Magistratura Nacional, que não tendo nascido em de Bragança, desde adolescente adotou como sua terra, Carlos Pires, que se iniciou no jornalismo no Mensageiro de Bragança e por este semanário muito se interessou, em tempos idos, tornando-se, posteriormente, destacado profissional na área jornalística portuguesa. São momentos que nos marcam e nunca mais esquecemos. Parabéns, pois, Rosália, pelo que és, pelo que sentes e fazes por este Nordeste Transmontano, institucional, afetiva e socialmente. Sem dúvida, um exemplo de identidade para muitos que se dizem brigantinos ou nordestinos.