Os portugueses derrotaram-se a si próprios

No dia 04/10/2015, dos 9,439 milhões de eleitores portugueses, 5,374 milhões foram votar para elegerem o XX Governo Constitucional (2015-2019). A abstenção (4,065 milhões, equivalentes a 43% dos eleitores) foi, em termos de percentagem, a mais elevada de sempre, em eleições para a Assembleia da República. Foram validamente expressos 5,287792 milhões de votos, dos quais 0,112293 milhões em branco. Os restantes 5,175 milhões foram distribuídos pelas candidaturas concorrentes, sendo que nenhuma das candidaturas obteve maioria absoluta para governar. Os votos dos 400.000 eleitores de emigração ainda não estão contabilizados
A coligação PàF (PSD+CDS) saiu vencedora e obteve 1,979 milhões de votos (menos 160 mil que em 2011). O PS obteve 1,740 milhões de votos (mais 180 mil que em 2011). O BE, 0,549 milhões (mais 0,260 milhões que em 2011). A CDU, 0,444 milhões (mais 0,005 milhões que em 2011.
Em termos de mandatos, é expectável que, com os votos da emigração, a Coligação obtenha obtenha 107, o PS 86, o BE 19, a CDU 17 e o PAN 1.
Em termos do Distrito de Bragança, PàF obteve 38.408 votos (49,41%) e o PS 23.718 (38%), a melhor votação de sempre, elegendo, respectivamente, dois e um deputados. Vimioso foi o concelho mais «pàfistão» (55,89%) e Torre de Moncorvo o menos (43,95%). Freixo de Espada à Cinta foi o concelho mais PS (41,04%) e Mirandela o menos (28,25%). A partir daqui, o PS distrital pode tirar algumas ilações.
Os principais derrotados da noite foram: 1) Portugal e os portugueses porque, com um governo na corda bamba, a burra só anda para os lados; 2) o PS porque nem ganhou nem obteve maioria absoluta; 3) PàF porque não obteve maioria absoluta.
Os principais vencedores foram o BE, as sondagens e a Esquerda (123 mandatos contra 107)
Em termos de pessoas, a única vitoriosa é Catarina Martins e a sua equipa, do BE, porque duplicou a votação. O principal derrotado é António Costa porque as circunstâncias em que se candidatou a Secretário Geral do PS exigiam um muito melhor resultado. A sua não demissão na noite eleitoral só se entende no contexto de eleições presidenciais próximas. Mas vai prejudicar muito o resultado das presidenciais. Passos Coelho, apesar de vencedor relativo, é também um perdedor relativo porque baixa a votação e vai ter que governar, ou em minoria ou em coligação ou com o PS ou com o BE.
Vamos ter pela frente quatro anos muito difíceis (se não houver, entretanto, eleições antecipadas, o que é bem provável) porque, não havendo nenhuma maioria absoluta, vão ser necessários acordos ou de regime ou pontuais. Neste cenário, o PS pode exercer um papel importantíssimo ou para viabilizar o Governo ou para o fazer cair. Esta incerteza é muito má para Portugal, nos próximos quatro anos.