Outro Manancial…

Sou um apaixonado pelo antigo, pelos mistérios que escondem, pelos ensinamentos que espreitam, pela História esquecida. Quando em veraneio, quando calcorreio, tudo cativa olhares, perscruto, sondo, fixo, informo-me, passo o tempo comigo e com os outros, fácil e gratuito contentamento.
Em territórios da Grande Lisboa, onde vivo, ganhei amizades por Bairro Art Deco, Bairro das Colónias, construído ao longo de meio século, hoje em reabilitação total, mostrando aos portugueses e ao mundo turístico as belezas legadas pelos de outrora. A História conta-nos que por meados do Sec XII estes sítios eram os domínios das freguesias de St.ª Justa e Rufina, mas no reinado do Cardeal D. Henrique, Sec XVI, foram polarizadas em Socorro, São José, Anjos, Pena e São Sebastião da Pedreira. De fora ficaram os insondáveis arrabaldes do nordeste até Sacavém, Arroios.
Arroios é nascente de água, de ribeira com História, rebaptizada como Regueirão dos Anjos, com percurso solto e destapado pelos territórios hoje R. St.ª Marta, S. José, Portas de St.º Antão (vale do Intendente), atingindo a foz no Rossio, entrando num braço do Tejo rumo ao mar.
No Porto, primeira terra adoptiva e de paixão, seduz-me história de embalar, prestes a ser contada aos portuenses e ao mundo porque seu famoso túnel em abóbada romana, está em fim de restauro, falo do Rio da Vila. Este lendário rio nasce em frente á Estação de S. Bento alimentado por duas ribeiras com nascentes no Marquês de Pombal e Fontinha (nome falante) e, após junção, percorre Mouzinho da Silveira e desagua no Douro na Praça da Ribeira. Pela imundice transportada foi encanado a partir de D. Fernando.
Outro percurso da seiva da vida, das águas que refrescam, é o leito do Tua, lá para as terras de Mirandela, Carrazeda de Ansiães, Vila Flor e Tua. Diz-nos a Geografia, de verdade, que o Tua não nasce de nascente, é um rio de junção, Mirandela é território mater, ali se casam os hispânicos Tuela e Rabaçal e correm, endiabrados e misturados, até às hercúleas águas do Douro.
São histórias cruzadas, da História, que em frente dos narizes passam, sem que os olhos, mesmo em cima, as vejam, e os ouvidos, mesmo ao lado, as ouçam.
Ser fonte ou origem não é para qualquer pois é dom de mestre, de entendido e de, no limite, do desconhecido, de Deus.
Remontando no tempo, deixando as contas para as escravas máquinas que labutam sem suores, há vinte anos que os números ditaram, sabia-se que agora mesmo, as escolas estariam vazias pois os que lá deveriam estar não nasceram, por absoluta culpa dos espantados, de todos nós. Edifícios e professores, do público e privado, convivem com o espaço, vazio de matéria-prima, de alunos.
Mas eis que a História nos mostra nova nascente, iluminada origem, Passos, o boquiaberto. Diz ele, do alto dum pedestal que sim, apesar do descalabro económico e financeiro gerado pelo seu misógino governo, dita que deveremos gastar milhões, no publico e no privado, na formação de gente que não existe, que não nasceu.
Passos já jorra. Nasceu Outro Manancial…