Pavões, “trepadores” ou agarrados

 
O carreirismo clerical tem sido frequentemente criticado pelo Papa Francisco. Também Bento XVI o denunciou por diversas vezes, ainda que não tenha sido tão ouvido como o seu sucessor. Nos últimos dias tem referido essa pecha em várias circunstâncias, com expressões arrojadas e contundentes. Numa das suas homilias na Casa de Santa Marta chegou mesmo a reconhecer que “na Igreja há trepadores”! Recomendou-lhes que façam alpinismo, já que gostam tanto de escalar, mas não venham para “a Igreja trepar”! E advertiu que “Jesus repreendeu estes trepadores que procuram o poder.” Referia-se à advertência aos discípulos João e Tiago, os filhos de Zebedeu, que queriam ocupar os primeiros lugares quando o seu reino fosse instaurado.
Ainda hoje continuam a existir muitos “arrivistas” na Igreja, com as mesmas preocupações dos filhos de Zebedeu.
Infelizmente, como referiu o Papa “há muitíssimos”. Abundam nos organismos eclesiais, onde tudo fazem para conseguir uma posição de poder.
Estão nas dioceses, onde se digladiam para ocupar o lugar imediatamente a seguir ao bispo e, para além de incorrerem nessa atitude condenada pelo Papa, fazem questão de divulgar o poder que detêm e a influência sobre os seus superiores.
Cedem também à tentação da vaidade, que o Papa também tem criticado “Quantos só querem ser vistos, pavonear-se. Comportam-se como verdadeiros pavões. Mas a vaidade não faz bem”!
A vaidade e a vanidade desses pavões, que se acham superiores aos outros sacerdotes e consideram-se uma casta bizarra e bem nutrida, bem como o “amor ao dinheiro”, são dois dos pecados que “o povo não perdoa ao seu pastor”, disse-o, recentemente, aos seminaristas que estudam nos seminários romanos.
O Papa Francisco não gosta de ver nos cristãos, em geral, e nos padres, em particular, um apego desmesurado ao dinheiro porque “nos afasta da retidão da intenção”, afirmou durante a referida homília na missa em Santa Marta. Na verdade, “há quem segue Jesus por dinheiro e com o dinheiro.
Procuram aproveitar-se economicamente da paróquia, da diocese, da comunidade cristã, do hospital, do colégio... Pensemos na primeira comunidade cristã que teve esta tentação, Simão, Ananias e Safira... Portanto, desde o início existiu esta tentação. Mas conhecemos muitos bons católicos, bons cristãos, amigos e benfeitores da Igreja, até com várias honorificências.
Depois descobriu-se que fizeram comércios pouco claros. Apresentavam-se como benfeitores da Igreja mas recebiam muito dinheiro e nem sempre era dinheiro limpo”.
Seria bom que as montanhas ganhassem novos alpinistas e que a Igreja se libertasse desses “trepadores” que se pavoneiam nas comunidades eclesiais, que procuram mais o poder do que servir e que acumulam o dinheiro que não lhes pertence.
Com o Papa, «peçamos ao Senhor a graça de nos enviar o Espírito Santo para que O sigamos com retidão de intenções: só por ele, sem vaidade, sem vontade de poder nem de dinheiro».