Pela nossa saúde

A Fundação Gulbenkian apresentou a seu tempo o relatório “Um Futuro para a Saúde”. O Conselho de Administração teve oportunidade de o discutir diretamente na Assembleia da República onde teve bom acolhimento apesar de algumas inexplicáveis divergências. É convicção que as principais conclusões e desafios serão, de uma forma ou de outra, integrados nos próximos programas eleitorais dado o contributo do referido documento para a necessária sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde. São três os principais desafios que a equipa do Professor Jorge Soares nos apresenta:
- Reduzir a incidência de infeções hospitalares e poupar com isso 140 milhões de euros nos próximos cinco anos;
- Suster o crescimento da incidência da diabetes evitando que nos próximos cinco anos 50.000 pessoas desenvolvam a doença com uma redução de custo de 45 milhões de euros;
- Promover o desenvolvimento de saúde nos primeiros anos de infância projetando o país para um patamar exemplar, internacionalmente e obter uma poupança de 80 milhões de euros.
 
A prossecução destes desígnios terá de contar com a colaboração e o apoio de várias entidades, entre elas, obviamente, as Unidades de Saúde, onde se inclui já a ULSNE nomeadamente no Programa de redução das infeções hospitalares já no terreno com a coordenação e liderança do Institute for Healthcare Improvement. Este é, aliás, o único dos desafios confinado ao interior das paredes das Unidades Hospitalares. Para os outros é necessária a cooperação ativa e empenhada dos cidadãos, do Governo, das organizações da sociedade civil e das empresas. E, como sublinhou enfaticamente Sérgio Gulbenkian, numa reunião privada para quadros da Fundação, os municípios. As Câmaras Municipais têm um papel fundamental nesta dinâmica que irá trazer um acréscimo de bem estar às populações e economias substanciais ao erário público.
Recentemente a Maratona da Saúde veio revelar a intenção de abordar os responsáveis municipais para a adesão ao ambicioso projeto liderado pelas doutoras Sofia Rodrigues e Maria João Leão com o apoio da RTP.
 
Numa altura em que tanto se discute a desconcentração e descentralização dos serviços de saúde, entre outros, para os municípios, em que um dos pomos da questão é (como habitualmente) o envelope financeiro com que o governo deverá fazer acompanhar esta medida, eis aqui uma oportunidade de demonstração por parte dos responsáveis autárquicos do seu empenho genuíno na defesa do bem estar dos cidadãos aderindo a iniciativas que lhes não exigem recursos financeiros de monta mas sim a disponibilização da estrutura já existente e o seu enraizamento junto das populações.
 
Setembro próximo marcará o início dos contactos para preparar as ações que, em concreto, os responsáveis dos programas irão propor aos nossos autarcas e demais técnicos regionais.