Podridão

O Dr. Rui Machete depois da tomada de posse como titular da pasta dos Negócios Estrangeiros (ele é veterano no referente a ser ministro), e após ter sido questionado sobre a sua actuação na SLN (matriz do BPN) e no Banco Português Privado, entendeu as perguntas como sintoma de “podridão dos hábitos políticos” e, no mais balbuciou estar de consciência tranquila. A resposta deixa subentender que o Sr. Ministro está convencido de possuir uma magistralidade acima do comum dos mortais, revelando antipatia (pelo menos) para com os jornalistas, esses grandes maçadores a todo o tempo e instante. Presumo entender o político novamente na ribalta, desempenhou inúmeros cargos de talante governamental, e presidiu durante largos anos à Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, só abandonando o cargo em consequência de grossas e profundas divergências com embaixadores americanos, os quais atreitos a prestarem contas de bom grado, não entendiam o seu pomposo modelo de governação. O garganta funda Jules Assange deu a conhecer telegramas dos diplomatas ianques onde referiam minuciosamente o estilo empregue pelo Dr. Machete, nas antípodas da prática usual da administração americana, que não é nada meiga para quem no seu entender transgride o normativo em vigor. Posto isto, concordo em absoluto com a referência à podridão, é verdade, tem carradas de razão o Senhor Ministro, mas esqueceu-se de explicar os seus trabalhos no combate a tão terrível moléstia, porque ele pertence ao creme do creme da elite política portuguesa desde a instauração da democracia, tendo tido inúmeras possibilidades de o fazer. Talvez o tenha feito, no entanto, não conheço os seus testemunhos nessa matéria, a qual gangrena os hábitos políticos, levando os cidadãos a descrerem das virtudes de todos quantos conseguem escapar às pestíferas exalações da dita podridão. O homem antes de dominar o fogo alimentava-se do cru, do fermentado e do podre, as chamas e as brasas trouxeram formidável progresso, apesar disso, alguns povos persistiram na anterior dieta, na esfera da política alguns dos seus agentes nutrem grande afeição por alimentos fermentados e podres. A máxima adverte: o que não mata, engorda. Os portugueses sacrificam-se para uma minoria ficar rotunda, os escândalos da banca são a prova provada disso mesmo. O bom senso inimigo do senso oportunista sofre tratos de polé porque os fautores da podridão conseguem passar incólumes. Pergunto: vai o Senhor combater a praga?