RAVENA E O MOTOR MONOFÁSICO

 
Numa das suas ficções, Jorge Luis Borges fala-nos de Droctulf, um guerreiro lombardo que participou na invasão de Ravena, integrado no exército germânico. O bárbaro, depois de arrasar várias povoações italianas ao transpor as muralhas da cidade deslumbrou-se de tal forma com a beleza do que viu e contemplou que mudou de “trincheira” e morreu a defendê-la dos que com ele inicialmente a atacaram.
Tal como os cavaleiros mongóis que acabaram por envelhecer nas cidades chinesas que pretendiam destruir para que nelas fosse feita uma gigantesca área de pastoreio.
Diversa e diferente é a história da cativa que integrada na sociedade captora nela se integra e comunga para sempre dos seus ideais sendo, a partir de determinado momento um deles por direito e convicção. Tal como a “índia” encontrada pela avó do autor, en Junin a sul de Santa Fé e que era afinal uma mulher britânica como ela que fora adotada pelos índios que num ataque lhe teriam morto os pais. Diferente por mais vulgar.
A primeira é singular e extraordinária. Porque a indentificação dos invadidos com os invasores tem inúmeros e incontáveis ocorrências em todo o mundo e o último relato do escritor só o sensibilizou por lhe ter sido contado pela sua avó. O que me traz a esta análise e que me motiva é a história do meio. Quando o invasor bem sucedido olha para a cidade conquistada e altera a motivação que lhe assitiu nos tempos que antecederam a conquista. Nada nos é dito sobre a motivação da alteração de paradigma. Mas é-nos apresentada frequentemente, nos tempos modernos. Muitos são os que se candidatam a chefia de governos, sejam da nação ou de uma simples autarquia e uma vez conseguido o objetivo que os moveram e em nome do qual arregimentaram as “tropas” que lhe proporcionaram a vitória, sentam-se na cadeira do poder e mudam drasticamente de visão e de objetivo adotando exatamente o mesmo objetivo que combateram para ali chegar.
 
Os motores monofásicos de indução, na sua conceção teórica, não têm definido o sentido de rotação. Irão rodar de acordo com o primeiro impulso, na altura em que são ligados à corrente e que está intimamente ligado à carga tornando imprevisível o seu desempenho. Para resolver esta indefinição completamente indesejável para os fins a que se destina a engenharia inventou uma fase auxiliar cuja alimentação é “atrasada” pela ação de um condensador. Quando este artifício é integrado na estrutura principal facilita a ligação elétrica mas impossibilita a inversão de marcha. Rodará sempre para o mesmo lado.  Por isso a minha preferência pelos motores trifásicos, nos casos de controlo de processos.